sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Exercício de Micheliny Verunschk



Diz a poetisa que o que transcrevo abaixo é um exercício! Queria eu ter fôlego para fazer exercício com tanta intensidade e maestria e não me cansar.
O blog da poetisa Micheliny Verunschk, que não é dedicado à poesia, mas tem rima da sensibilidade poeta, tem link nas minhas "Outras Estradas".


O poema


que não me habita


salta arisco


sobre o abismo


do meu nome


e mora


exato


no livro ao lado


(aquele, que não escrevi).


Foge de mim


como o diabo


da cruz.


Ri da minha insônia.


O poema


que não me habita


me alimenta


da sua ausência.


É o pão que deus amassou.


Bate na minha porta


e foge


inominável.


Não trepa.


Não goza comigo.


Não é meu amigo.


O poema


que não me habita


não deixa que um anjo


o anuncie


mas freqüenta


o espelho do banheiro.


É belo


e puro


e inacessível


como uma coluna grega


mas me tenta


há quarenta dias


nesse deserto.


E chega tão perto


que posso ouvir


sua respiração.


Chega tão perto


que quase o pego


roubo


digo que é meu.


Chega


tão perto


que quase finjo


que mora comigo.


O poema que não me habita


é o diabo


no corpo


de outro


que não sou eu.


Micheliny Verunschk

3 comentários:

Micheliny Verunschk disse...

ôpa, Zé Paulo! Fiquei honrada!

Obrigada!

Abs!!!

Zé Paulo disse...

Michelny,

A honra é minha de receber a sua visita.
Hoje deixo-lhe beijinhos, em lugar dos abraços.

ZP

andre Bianc disse...

Amei conhecer vc ontem no programa Entre Linhas da TV Cultura , santa ignorância a minha , em que planeta eu habitava ? Parabéns pela sua maravilhosa obra. Abraços Poéticos.
André Bianc

PS: Se vc tiver estômago e "saco" , entre no meu blog de poesias de minha autoria. Pode jogar pedra , afinal eu tb sou o filho da Geni.
www.andrebiancpoeta.blogspot.com