segunda-feira, 28 de julho de 2008

Líbia e Suíça, a crise do Estado Gadahfi


Fotografia de Hannibal Gadhafi na Dinamarca, em 2005
Fonte da Imagem : swissinfo.ch
Por Antonio Maria Gouveia Lemos
Normalmente a Suíça fica fora das notícias e escândalos internacionais, pois o manto da "neutralidade", usado por vários interesses internacionais e nacionais, prefere a ver quieta e estavelmente fora de qualquer risco político ou econômico.
No entanto na actual crise entre a Líbia e a Suíça ficou essa "tradição" de lado. O mais ridículo é que se a Líbia fosse um Estado democrático, os motivos desta crise não encheriam duas linhas na ultima página de jornal de imprensa "escandalosamente-marrom".
Hannibal Gadhafi, 31 anos, um dos filhos do já legendário ditador africano Moammar al-Kadhafi, ao contrário da maioria dos cidadãos do seu país, se instalou com a sua mulher no hotel de luxo em Genebra, "fazendo horas" até chegar a hora do nascimento do seu filho.
Pelos vistos o sistema de saúde do seu país não é suficientemente bom para se dar à luz os filhos da elite da ditadura local. (Não devemos esquecer o recente caso das enfermeiras búlgaras encarceradas anos a fio, torturadas e culpadas por terem infectado crianças com o vírus da SIDA (Aids), quando todos sabiam que o caos e a corrupção dos hospitais locais eram os verdadeiros culpados da morte das crianças.)
Que o filho do ditador tenha escolhido uma clínica privada de Genebra para "dar á luz o neto do ditador", ainda se entende, pois não seriam os únicos "ricos do mundo" a fazerem uso das boas e discretas clínicas Suíças.
O problema começou quando um belo dia Hannibal Gadhafi e a sua esposa resolveram agredir fisicamente dois funcionários do hotel onde estavam, se esquecendo que na Suíça não há privilégios e impunidade social como no país deles.
Ambos os funcionários, uma mulher e um homem, estrangeiros residentes na Suíça, deram queixa na polícia. Depois do laudo médico comprovando as agressões, foi imediatamente decretada a prisão preventiva dos agressores, visto que o risco de fuga era grande. Ao fim de umas horas retidos e o pagamento de uma fiança de SFR 500'000,00 foram soltos e responderão o processo em liberdade. Claro que procuraram a proteção do pai e sogro Gadhafi, chorando mentiras e lágrimas de crocodilo, negando qualquer agressão e jurando de pés juntos serem inocentes.
Ver a ficha do "papai-eu-sou-inocente" Hannibal Gadhafi (só na Europa, pois no país dele...):
2005 - ele mandou sequestrar em Copenhague um cidadão líbio para o torturar...;
2004 - Em Paris, depois de ser apanhado por um policial dirigindo bêbado a 140 Km/h em plena parte central da cidade, mandou o seu guarda costa dar uma surra no policial de trânsito que o quis multar;
2004 - Também em Paris, a actual mulher foi tratada numa clínica local depois de ter apanhado uma surra do animal...quer dizer Hannibal;
2001 - Agride em Roma três policiais com um extintor de fogo.
Em todos os casos acima não houve registro policial, e a hipocrisia da política local, deixou o dito e feito, por um "nada a comentar."
Como todos sabemos naquele país - responsável por várias injustiças internacionais e nacionais, (o atentado de Lockerbie que derrubou um avião civil no Reino Unido, matando centenas de inocentes, foi só um dos actos que esse governo já subvencionou mundo afora - o Estado é a família Gadhafi. (O restante são os fantoches necessários ao cenário democrático, de uma ditadura que se preste.)
Como era de prever, o Estado Gadahfi não estava habituado que tratassem os seus familiares como simples mortais, debaixo da lei em vigor do país que pisam. Ao contrário dos outros casos acima mencionados, aqui eles foram presos e tratados com respeito, sem violência e de acordo com as leis em vigor. Mesmo assim, tal "ofensa" trouxe as retaliações organizadas.
Por uma prisão do seu filho, ou seja, um caso privado e familiar, o ditador lança um pacote de retaliações políticas a nível de Estado contra um outro Estado. (!?)
Organizam umas 200 pessoas em frente á embaixada Suíça para gritarem algumas coisas bem orquestradas. Reduzem os três vôos da Swiss Airlines para um por semana. Ameaçam suspender o fornecimento de petróleo, assim como as importações da Suíça.Prendem dois cidadãos suíços, funcionários das multinacionais ABB e Nestlé, dizendo que os mesmos não estavam com os papeis em dia e os colocam em cela comum com outros 20 presos. Logo essas duas multinacionais, iriam-se arriscar a enviar funcionários sem a documentação necessária. Que o diabo acredite nisso! (Se espera que não sofram o mesmo que as enfermeiras búlgaras injustamente sofreram naquelas prisões).
Levando-se em conta que a Tamoil é a maior fornecedora de petróleo da Suíça, existem vários postos dessa empresa na Suíça, mesmo se tratando de um grande valor e volume de petróleo importado, não seria problemático para a Suíça conseguir novos fornecedores no Leste Europeu ou América do Sul. E o que eles importam da Suíça está no momento, basicamente ligado ao comércio farmacêutico. Resumindo, ambos os lados podem viver comercialmente sem o outro.
No entanto vem à tona mais uma vez uma pergunta sempre actual; por que um país com governantes eleitos REALMENTE democraticamente, por causa de interesses comerciais, se mete em negociatas com países que têm outros valores de ética e direito Humanos? (A Suíça não é o único que se ajoelha a outros valores éticos, em favor do interesses comercias. Ver a balança comercial da China e outros tais.)
Se por um lado tiro o meu chapéu ao governo actual suíço, por terem reagido com Hannibal Gadahfi, de forma consequente com as leis em vigor no país, ao prender o filho mimado do grande e mais velho ditador africano, não se importando com as cenas hipócritas, típicas da diplomacia do ministério das relações exteriores, por outro lado espero que este caso sirva de lição, não para Gadahfi, pois a Líbia, com um povo sob tortura, não mudará com ele no poder, e sim para a Suíça, a grande parceira comercial do mundo "apartheid" da Africa do Sul passada, e que aprenda de vez e passe a ser mais coerente com aquilo que diz, ou se propõe ser, no mundo internacional.
Pois está provado, que tal como na vida privada de qualquer humano, país "que pactua com o diabo, é chantageável", e mais cedo do que tarde, apanhado com a boca na botija.
Correcção do meu Texto:
As duas vítimas, um marroquino e uma tnisiana, eram empregados privados do casal agressor. Os funcionários do hotel é que se aperceberam das agressões e prestaram ajuda aos dois empregados privados, que deram queixa por agressões físicas. Os agressores, dizem que os sinais de maus tratos, confirmados pela perícia médica, foram feitos pelas próprias vítimas, para fingirem as agressões e poderem pedir asilo na Suíça.
Detalhe, parentes do marroquino, foram presos sem motivos, numa mostra de força do Estado Gadahfi, de os pressionar para retirar a queixa contra Hannibal Gadahfi.
No entanto ambos continuam até agora firmes, apesar das pressões diplomáticas e só aceitariam retirar a queixa, se soltarem os parentes das vítimas, tratados como verdadeiro escravos na mão do casal. (Assim que se aceitaram o emprego, lhes foram retirados o telefone celular e os passaportes!!)
Vergonha desumana, sob o manto do Estado Gadahfi.
Antonio Maria

3 comentários:

Zé Paulo disse...

Grande lição da justiça suiça, que só pode acontecer em um estado demcrático de direito! Até nos faz, momentaneamente, esquecer de alguns erros cometidos por este pequeno grande país dos Alpes.

Um abraço para ti, António Maria.

Anônimo disse...

Existem outros lados mais "paradoxais" na polítca local, que abordarei em outro texto

António Maria

Anônimo disse...

Correcção do meu Texto:
As duas vítimas, um marroquino e uma tnisiana, eram empregados privados do casal agressor.
Os funcionários do hotel é que se aperceberam das agressões e prestaram ajuda aos dois empregados privados, que deram queixa por agressões físicas.
Os agressores, dizem que os sinais de maus tratos, confirmados pela perícia médica, foram feitos pelas próprias vítimas, para fingirem as agressões e poderem pedir asilo na Suíça.
Detalhe, parentes do marroquino, foram presos sem motivos, numa mostra de força do Estado Gadahfi, de os pressionar para retirar a queixa contra Hannibal Gadahfi.

No entanto ambos continuam até agora firmes, apesar das pressões diplomáticas e só aceitariam retirar a queixa, se soltarem os parentes das vítimas, tratados como verdadeiro escravos na mão do casal. (Assim que se aceitaram o emprego, lhes foram retirados o telefone celular e os passaportes!!)

Vergonha desumana, sob o manto do Estado Gadahfi.

Antonio Maria