segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Documento do jornalismo luso-moçambicano

Na última vez que ouvi a voz do meu Pai tinha eu 11 anos de idade. Hoje, perto de chegar aos 47, eu e os meus irmãos recebemos um CD com uma gravação recuperada de uma entrevista dada pelo mesmo em 1971 à Rádio de Lourenço Marques e que foi reeditada com o que viram de mais importante quando da sua morte no Brasil, como forma de o homenagear, em 1972.
O Dr. Adrião Rodrigues tinha este rolo em sua casa e o passou para o seu irmão Vitor o qual guardou-o por mais de 20 anos sem saber exactamente o que lá estava gravado.
Este mês, vindo o Tio Vitor de Portugal para a sua casa em Itaipava, estado do Rio de Janeiro, trouxe o tal rolo e decidiu procurar em um antiquário um aparelho que estivesse em condições de uso.
Foi explorando o rolo e dentro de alguns outros materiais interessantes assustou-se ao se deparar com a entrevista do seu antigo camarada que não chegou a vê-lo casado com a sua irmã Micá.
De imediato puxou a gravação para o seu computador e colocou-se a fazer cópias para os filhos do Gouveia Lemos e para o restante da família.
Hoje, emocionado, ouvindo a voz do meu Pai, mas sei que também um documento do jornalismo luso-moçambicano, estou eu aqui tentando colocar uma video-montagem que fiz com a tal entrevista.

video

15 comentários:

Vitor Manuel disse...

Querido Zé Paulo,

É-te permitido teres dúvidas quanto à nacionalidade. Uns anos lá e outros cá tornam a dúvida possível. Certeza, certeza é que és filho do António Veríssimo Sarmento de Gouveia Lemos, que todos nós admiramos e cuja memória cultuamos.
Parabéns pela video-montagem.
Dos tios que te adoram,
Micá e Vitor

DigitalnoIndico disse...

Zé, abraços, contentamento, emoção e obrigada por teres partilhado estes fabulosos 25 minutos, de video-montagem, da entrevista com o teu Pai.
Um beijo enooooorme! Ana

Zé Paulo Gouvêa Lemos disse...

Meus queridos Tios Vitor e Micá. Se não fiz esforço algum para ser um filho deste Homem, curto de monte poder dizer que o sou. Cada vez gosto mais dele.
Mais uma vez o meu, agora público, muito obrigado pelo grande presente que nos fizeram chegar...às mãos, ao coração, e a todos os sentidos que se possa imaginar que as sensações de tanta emoção possam provocar.
Um beijo meus queridos Tios.

Zé Paulo Gouvêa Lemos disse...

Ana,
Sempre presente, minha amiga! Não agradeças porque o GL de uma forma ou de outra é de todos nós, até de alguns que não o conheceram e nem a sua obra jornalística.
Sobre os quase 25 minutos, talvez tenha caído o link do video, pois são aproximadamente 40 minutos. É realmente para que tem paciência e gosta de um documento deste tipo.
Um beijo muito grande.

Tereza disse...

Aqui tb quero deixar o meu agradecimento aos meus tios, que nos presentearam com tamanha emoção.Ouvir meu pai aos quase 52 anos e parte da minha vida, que tive ao lado de duas pessoas tão lindas, é bom demais e não me canso de o ouvir. Lágrimas se misturam com risos, o vejo aqui na minha frente. Sem mais , não existe emoção tamanha para definir o que senti e sinto. As novas gerações terão hoje mais riqueza da nossa história.
Lindo trabalho mano, ele é nosso pai, dos 5, mas é de todos, na historia do jornalismo Moçambicano , o dissestes bem .Não preciso dizer o orgulho que sinto dele,um HOMEM!
Ana é tão bom te ver sempre junto,obrigado pelo teu carinho .
Tios é bom vos sentir aqui.
PAI obrigado por tudo!
Desculpem, é a emoção falando mais alto.
Beijos e um XI bem grande ZP Tareca (que tinha 16 quando ele partiu para a "sua viagem ")

DigitalnoIndico disse...

Tens razao Ze Paulo, são 40 minutos! Já ouvi de novo. Mas mesmo sendo extenso não dei pelo tempo nem deixou de ser espectacular (re)ouvir a sua serena, sensivel, confiante, e ponderada voz! Beijos grandes a todos voces pela alegria e emoção que vivem. Estão de parabens por tamanho presente que tiveram. Ana

Madalena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Mano ZP

Como sabes estou em Londres em casa do nosso irmao J.Roldao e por isso o CD que os tios nos enviaram ainda nao pude ouvir.
Ouvi, como podes imaginar, extremamente emocionado a voz do nosso pai depois de tantos anos, confirmando aquela etica, moral, tolerancia e positivismo com que fomos educados desde o nosso primeiro sopro de vida.
AgradeCo aqui a todos os envolvidos nesta empreitada que me permitiu viver tal inesquicivel momento. E um especial para ti, o nosso muana, por teres feito tao bela montagem de imagens que foi um verdadeiro passeio no tunel do tempo...passado.
Kanimambo maningue!
E Viva a imprensa honesta, isenta e livre.
ToMaria

Anônimo disse...

O que me saltou logo aos ouvidos foi a data de chegada a MoCambique do teu pai. Janeiro 1949 !! Aih eu disse "puxa Antonio Maria...antes de eu nascer!!", a PIDE nesse tempo chamaria de prato feito - a alguem como o teu pai - que chegasse de Portugal feito de revolucionario a MoCambique.
Soh depois eh que comecei a analisar o restante da entrevista e historia dele. Nao me vou alargar mais para nao me repetir, nas palavras que jah ouvi e lli, como emoCao etc...

AbraCao do xamuar e "irimao munimua"*
Roldao

(* no dialeto de Quelimane/chuabo = irmao mais velho)

Anônimo disse...

Tão comovente como importante, já recomendado no 'chuinga' e não só.

beijo grande,ZP,
IO

Luisa Hingá disse...

Obrigada por teres compartilhado comigo este video. Imagino a tua alegria quando o Cte. Adrião Rodrigues to fez chegar.
Aproveito para deixar um abraço para ele, meu e do CTA Hingá, meu marido, que ele conheceu na Beira e em LM.
Abraços

Luis Bernardo disse...

Zé Paulo e Irmãos
Escrever sobre "Gouveia Lemos" seria reconhecer que, apesar de conseguirmos esse nome, nunca chegamos, ou chegaremos a ser um GL.
Comentar sôbre vosso Pai, não passaríamos de especuladores.
Mas , reviver em nós o nosso irmão, o nosso companheiro por tão breve tempo, é reviver um sonho encantado, o encontro com a dimensão maior da solidariedade sólida de um espírito aberto, sensível, culto, despojado de qualquer miudeza humana...simplesmente, sem se dar conta disso, com um displicente (displicente?) "foulard" ao pescoço, que talvez seja o adereço mais marcante que nos ficou na lembrança.
A sofisticação que se pretendia simples, a cultura que se exibe como coloquio, o amor mais puro e profundo que nem ousa mostrar a cara.
Tôda a exaltação é pequena para expressar nossas saudades.
Beijos mil
Menau/Marina

Anônimo disse...

Pai ainda não vi mas já ouvi mil vezes aquela musiquinha do começo de tanto o pai ver o video!!!Hehehe, mas muito legal mesmo o pai ter feito isso!!!
Filipe

Tereza disse...

Fi, amei seu comentário, um dia vais ver, mas a música já te passa a emoção, isso é bom e sabes a Ana Carolina acho que tb já sabe o que a tia (avó) tá vendo e ouvindo, ehehehehehe, beijo grande Tia Tareca

Anônimo disse...

exemplo típico de diáspora portuguesa:Portugal, Africa, Brasil; ou por qualquer outra ordem, mas sempre nos três continentes, foi uma constante na história de Portugal e colónias.

Com os milhares de Brasileiros e Luso descendentes, e africanos, neste momento a residir em Portugal, embora noutras condições, irá continuar essa "tropicalíssima" e "romântica" diáspora.

Difícil de compreender este modo de estar no mundo, principalmente por aqueles novos colonialistas, a que se chama cooperantes, ou ONG´s,do mundo inteiro, que vivem nas ex-colónias e mesmo no Brasil.

Cumprimentos