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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Poesia Sufista e o Filme Bab’Aziz

Para se lançar em mais uma semana, sem se arrepender de um dia ter amado.

„As pessoas são como as três borboletas
em frente da chama da vela.
A primeira se aproximou da chama e disse:
Eu sei o que é o Amor.
A segunda tocou a chama com as suas asas
e disse:
Eu sei o quão doloroso pode a ser a chama do Amor.
A terceira jogou-se no meio da chama,
e deixou-se devorar.
Ela sabe o que é o verdadeiro Amor...“

Poema sufista cantado no filme Bab’Aziz (Avô Aziz), realizado pelo super sensivel diretor tunísio Nacer Khemir.

Um filme que vale a pena ser visto também em DVD. Informações sobre o mesmo, aqui e aqui.

Apesar de não ser Sufista, gosto muito da sua Poesia, que se encontra em muitas páginas eletrônicas.

Post de António Maria G. Lemos






quarta-feira, 22 de outubro de 2008

José Craveirinha

A vantagem de se ter pessoas como Craveirinha que passam pela nossa vida, é poder relacionar a sua obra que fica para todo o sempre com o que nós o conhecíamos como um "simples" mortal.

Craveirinha ou o Tio Zé, tinham uma imponência que chegava a me assustar na minha adolescência. Era tão grande esta, quanto era a meiguice do casal Zé e Maria quando nos recebiam na sua casa na Mafalala.

Ao descobrir este vídeo no Youtube foi uma emoção limpa de tristezas. Foi um recordar de parcerias e cumplicidades de verdadeiros companheiros, ou chapas, como se tratavam na altura, como os exemplos que ele e o meu "velho" Pai me deixaram.

Moçambique no programa Revista Brasil

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Exercício de Micheliny Verunschk



Diz a poetisa que o que transcrevo abaixo é um exercício! Queria eu ter fôlego para fazer exercício com tanta intensidade e maestria e não me cansar.
O blog da poetisa Micheliny Verunschk, que não é dedicado à poesia, mas tem rima da sensibilidade poeta, tem link nas minhas "Outras Estradas".


O poema


que não me habita


salta arisco


sobre o abismo


do meu nome


e mora


exato


no livro ao lado


(aquele, que não escrevi).


Foge de mim


como o diabo


da cruz.


Ri da minha insônia.


O poema


que não me habita


me alimenta


da sua ausência.


É o pão que deus amassou.


Bate na minha porta


e foge


inominável.


Não trepa.


Não goza comigo.


Não é meu amigo.


O poema


que não me habita


não deixa que um anjo


o anuncie


mas freqüenta


o espelho do banheiro.


É belo


e puro


e inacessível


como uma coluna grega


mas me tenta


há quarenta dias


nesse deserto.


E chega tão perto


que posso ouvir


sua respiração.


Chega tão perto


que quase o pego


roubo


digo que é meu.


Chega


tão perto


que quase finjo


que mora comigo.


O poema que não me habita


é o diabo


no corpo


de outro


que não sou eu.


Micheliny Verunschk

domingo, 20 de julho de 2008

Poeta do Chipangara


Classificarem a poesia e a prosa do Jorge Coimbra, ou o próprio poeta do Chipangara como "saudosista", mesmo que em tom de elogio, é de um erro dos maiores.

O Jorge Coimbra tem uma prosa que nos faz voltar à infancia, à adolescencia, com um sentimento de saudade de tempos que não voltam, porque o calendário só anda para a frente, passados em Moçambique. Mas na sua obra jamais se lê a desqualificação do presente, em comparações soltas, sem avaliações históricas embasadas em factos reais e racíocinios coerentes, característica de qualquer saudosista.

Viajar pelo passado e sentir ou nos fazer, com grande competência, sentir saudadades do mesmo, está muito longe de ser um saudosista.

Visitar o seu blog, Chipangara ou Espangara, é um passeio poético pelo passado para alguns, mas não só, pois este poeta não vive só do "ontem", mas com toda a certeza nunca com o tom saudosista.