Fonte da foto: Água Lisasexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Guantánamo
Fonte da foto: Água Lisasegunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Obama, um agente de mudança ou o sonho da mudança?
Fonte: cnet news Se entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain a minha preferência para assumir a presidência da maior potencia do Planeta foi sempre por Obama, nunca tive a expectativa que se coloca no mesmo de ser ele um Gandhi do Séc. XXI e nem mesmo uma nova liderança que venha a mudar, o quanto se necessita, os conflitos e as mentes mundiais. Vejo que ele terá mesmo dificuldades para mudar os problemas internos do seu país e no que o seu país está envolvido além fronteiras. No domingo retrasado, em entrevista à TV ABC, Obama já adiantou: "Quero ser realista aqui: não vamos poder fazer tudo o que falamos durante a campanha no ritmo que esperávamos" Mostra aqui na sua declaração, neste aspecto, que não foge a um político padrão, ao usar um expediente normal da grande maioria dos políticos em campanha. Promete-se para ganhar, e depois ajusta-se os compromissos assumidos.
A população mundial está tão ávida por mudanças, tão assustada com a era Bush, que chegam a colocar a responsabilidade do fim da mesma pela chegada de Obama, quando na verdade o Bush já estava enterrado, ao ponto do próprio candidato republicano não querer vincular a sua campanha ao então Presidente americano.
A grande mudança, nos Estados Unidos, aconteceu de facto quando se viu aquela sociedade votar em um mulato, que agora “orgulhosamente” querem racistamente definir o mesmo como negro. É tão negro como branco, e preconceituosamente tremem em dizer que o mesmo é mulato. Como tudo, nos Estados Unidos, há que ser “hollyoodiano”, e para dar mais impacto ao show, há que dizer que está assumindo a presidência um afro-americano e não um afro-europeu-americano (ficou feio este nome!), ou melhor e simplesmente, que assumiu um homem culto, inteligente, capaz.de governar um país complexo como os Estados Unidos. E os ávidos pelos sonhos pelo mundo sentam-se na platéia e aplaudem o show americano, mesmo que Obama fique mudo perante o que estamos assistindo em Gaza, com a desculpa que podia atrapalhar a diplomacia americana, mesmo que Obama não mostre nada substancial em relação a mudanças, que pretenda implementar, na política em relação ao que os americanos classificam do “Eixo do Mal”, onde o Estado de Israel é o bonzinho.
Não, não sou um pessimista. Acho mesmo que ganhou o melhor candidato, mas tenho a nítida sensação que não encontramos um ser de outro mundo, nem mesmo um mágico.
Já ficarei feliz que a eleição de um não “ariano” represente de facto um avanço na sociedade americana. Depois, vamos tentando comer pela beira do prato para não nos queimarmos.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Cesare Battisti
Fonte da imagem: Panorama.it
O Brasil tem um histórico de dar exílio a tudo que é perfil de político que tem que sair do seu país. A legislação deste país faz com que assim seja o comportamento jurídico, um tanto independente das lideranças políticas que estão em Brasília.
Foi assim com o anarco-sindicalista portugês Edgar Rodrigues, que para fugir do regime do Estado Novo português exilou-se no Brasil em 1951, quando este país era governado pelo então nacionalista Getúlio Vargas; aconteceu com Marcelo Caetano, ditador português após a Revolução de 25 de Abril de 1974, aqui exilado de
Hoje passamos pelo polemico caso do exílio dado pelo governo brasileiro ao ex-terrorista italiano Cesare Battisti, onde se quer caracterizar a decisão como sendo política.
Tirando a gafe do Tarso Genro, Ministro da Justiça, que teve a sabedoria de avisar antecipadamente o Embaixador italiano em Brasília da decisão do Ministério da Justiça brasileiro em dar a condição de exilado político ao Cesare Battisti, mas que não fez o mesmo com o seu colega Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, esta configurado por todos os grandes juristas brasileiros, independente se mais à direita, ou se mais à esquerda, que a decisão está totalmente baseada na legislação nacional. Os questionamentos contra a decisão que vêm de fora, e os que se ouvem aqui dentro são em cima de ponderações que gostariam que se colocassem, ou políticas ou humanas.
E se um Ministro tomasse decisões políticas e subjetivas não passaria a estar acima das leis? Não passaríamos a ter um sentimento de estarmos a viver dentro de uma ditadura? Vamos agora culpar o PT do Lula e do Tarso por cumprirem a lei ?
Pergunto se a Itália teve a mesma reação diplomática, até um certo ponto compreensível, com a França quando em 1991 este seu parceiro europeu negou o pedido de extradição feito pela Itália deste ex-terrorista? E quando só em 2004 vem a ser preso em território francês, acaba por ser solto por pressão de intelectuais franceses, e acaba por fugir para o Brasil por perceber que o então presidente francês Jacques Chirac começa a entrar na onda de ceder ao pedido de extradição italiano?... Não soube de ameaças diplomáticas italianas contra a França, nem em 1991, nem em 2004, além de um descontentamento natural por não terem alinhado com uma decisão da Itália, e dizem que da grande maioria dos italianos.
Entendo a frustração que a Itália possa estar passando pela decisão que o Brasil tomou, mas os italianos devem muito respeito ao Brasil pela representatividade que este país tem quanto à História do seu país, ainda que o outro lado da moeda também seja verdadeiro, e precisam separar decisões políticas com questões jurídicas de cada país. No máximo que se pode questionar é a legislação, e a possibilidade de se fazer rever a mesma. Mas lembrar que, neste caso, isso é papel dos legisladores brasileiros, não querendo dizer que não se possa, ou se deva, ouvir o que os outros têm a dizer.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Zé Ramalho - Admirável Gado Novo
Em 1979 ouvi pela primeira vez esta música na voz do paraibano Zé Ramalho. O Brasil ensaiava a saída de uma ditadura militar de algumas décadas.
Neste ano o General João Figueiredo, Presidente da República, sancionou a Lei da Anistia para quem cometeu crimes políticos.
É daquelas músicas, que à parte da sua grandeza artística, não temos muito que festejar quando percebemos que ela se mantém atual, mesmo sabendo que não vivemos mais na antiga ditadura, mas que com toda a democracia política ainda não a conseguimos usar para acabarmos com a ditadura das injustiças sociais.
O título da música foi inspirado no livro "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley.
domingo, 30 de novembro de 2008
Comunismo, o que faliu? O sistema político ou os seus conceitos? Ou ambos?
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Não voto nos Estados Unidos...
Obama ganhou e de facto mostra que passamos, junto aos americanos, por uma data histórica.
Obama, sem dizer exatamente qual o programa de governo que pretende adotar, conseguiu convencer uma maioria americana, e do mundo, de que...”yes, we can”..., mas só o futuro poderá nos dizer para onde ele levará o seu país, além de redirecionar as suas tropas do Iraque para o Afeganistão. Se deixará de ser um pop star e se transformará em um bom gestor, inclusive de conflitos mundiais.
A eleição de Obama mostra como estamos passando, de forma um tanto atrasada, tristemente atrasada, por um momento histórico quando o que mais se houve hoje é que se elegeu o primeiro presidente negro americano.
Concordo que estamos falando em um país que há um pouco mais de 40 anos a segregação racial era problema grave. Que estamos falando de um país onde os negros representam pouco mais de 12% dos eleitores, e que nem todos devem ter votado nele, e que ainda assim elegeu-se um negro com votos de maioria de não negros.
Mas dever-se-ia dar tanta ênfase a se eleger um não branco? Não deveria ser algo natural? Sim, talvez sim, deva-se dar a tal ênfase. O mundo, como os Estados Unidos, está mesmo em marcha lenta, mas parece que vem mudando. Mas não consigo, neste tema, ficar eufórico. Fico mesmo preocupado. Por mim, pela sociedade, e pelo Obama.


