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domingo, 18 de janeiro de 2009

Cesare Battisti

Fonte da imagem: Panorama.it

O Brasil tem um histórico de dar exílio a tudo que é perfil de político que tem que sair do seu país. A legislação deste país faz com que assim seja o comportamento jurídico, um tanto independente das lideranças políticas que estão em Brasília.

Foi assim com o anarco-sindicalista portugês Edgar Rodrigues, que para fugir do regime do Estado Novo português exilou-se no Brasil em 1951, quando este país era governado pelo então nacionalista Getúlio Vargas; aconteceu com Marcelo Caetano, ditador português após a Revolução de 25 de Abril de 1974, aqui exilado de 1974 a 1980 (ano da sua morte), quando ainda tínhamos por aqui um governo militar representado pelos então generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, respectivamente; foi assim com o ditador paraguaio Alfredo Stroessner, exilado de 1989 a 2006 (ano da sua morte), quando aqui tínhamos, em 1989, um recente empossado regime democrático com o então presidente civil José Sarney, mas que até 2006 outros governos passaram por Brasília, como Collor e Fernando Henrique. Estes são só três exemplos entre outros tantos.

Hoje passamos pelo polemico caso do exílio dado pelo governo brasileiro ao ex-terrorista italiano Cesare Battisti, onde se quer caracterizar a decisão como sendo política.

Tirando a gafe do Tarso Genro, Ministro da Justiça, que teve a sabedoria de avisar antecipadamente o Embaixador italiano em Brasília da decisão do Ministério da Justiça brasileiro em dar a condição de exilado político ao Cesare Battisti, mas que não fez o mesmo com o seu colega Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, esta configurado por todos os grandes juristas brasileiros, independente se mais à direita, ou se mais à esquerda, que a decisão está totalmente baseada na legislação nacional. Os questionamentos contra a decisão que vêm de fora, e os que se ouvem aqui dentro são em cima de ponderações que gostariam que se colocassem, ou políticas ou humanas.

E se um Ministro tomasse decisões políticas e subjetivas não passaria a estar acima das leis? Não passaríamos a ter um sentimento de estarmos a viver dentro de uma ditadura? Vamos agora culpar o PT do Lula e do Tarso por cumprirem a lei ?

Pergunto se a Itália teve a mesma reação diplomática, até um certo ponto compreensível, com a França quando em 1991 este seu parceiro europeu negou o pedido de extradição feito pela Itália deste ex-terrorista? E quando só em 2004 vem a ser preso em território francês, acaba por ser solto por pressão de intelectuais franceses, e acaba por fugir para o Brasil por perceber que o então presidente francês Jacques Chirac começa a entrar na onda de ceder ao pedido de extradição italiano?... Não soube de ameaças diplomáticas italianas contra a França, nem em 1991, nem em 2004, além de um descontentamento natural por não terem alinhado com uma decisão da Itália, e dizem que da grande maioria dos italianos.

Entendo a frustração que a Itália possa estar passando pela decisão que o Brasil tomou, mas os italianos devem muito respeito ao Brasil pela representatividade que este país tem quanto à História do seu país, ainda que o outro lado da moeda também seja verdadeiro, e precisam separar decisões políticas com questões jurídicas de cada país. No máximo que se pode questionar é a legislação, e a possibilidade de se fazer rever a mesma. Mas lembrar que, neste caso, isso é papel dos legisladores brasileiros, não querendo dizer que não se possa, ou se deva, ouvir o que os outros têm a dizer.

sábado, 25 de outubro de 2008

Morretes é um lugar que gosto de visitar

Morretes é um lugar que gosto de visitar. Há os lugares que quando recebemos visitas em Curitiba nos sentimos na obrigação de levá-las a conhecer. Os famosos cartões postais. Sejam estes lugares que nos agradem ou não, mas se não os levarmos acabaremos por passarmos pelo risco do visitante nos perguntar: “E o tal lugar, é mesmo legal?”
Morretes, um município que fica a aproximadamente 60 km aqui de Curitiba, fundada em 1733, é um dos lugares que levo qualquer amigo que por aqui chega com grande prazer. O prazer de levar um amigo a conhecer algo "novo", e de eu estar a ir de novo aquele lugar.
O centro histórico, misturado com o muito verde do lugar e as águas dos seus rios, torna aquele espaço energético. Essa concentração de enrgia deve ser ajudada pela Serra do Mar e a Mata Atlântica que rodeiam a cidade
Hoje o tempo por lá estava nublado, o que em nada atrapalhou o passeio, o aconchego das ruas e arquitetura colonial e a simpatia da gente do lugar que sabe que o turismo é importante para a economia da sua cidade.
O sol só fez falta para dar um pouco mais de brilho às fotos, mas para nós que lá estávamos o brilho não fez falta alguma ao que víamos.
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Vista parcial do Rio Nhundiaquara, que corta a cidade.


Ruas estreitas com a sua arquitetura colonial.


Palmeiras reais em guarda.

Onde comemos o "barreado", prato típico da cidade.

Igreja Matriz da Nossa Senhora do Porto, construção iniciada em 1812.

domingo, 7 de setembro de 2008

7 de Setembro -Independência do Brasil

Bandeira do Império, 1822
Fonte da Imagem: História da Bandeira Nacional
Hoje, Dia 7 de Setembro, festeja-se a Independência do Brasil. Neste dia acabo sempre por fazer algumas comparações com o processo que por aqui houve e pela a que eu acompanhei ao vivo, pelo menos parte dela, em uma outra colônia portuguesa, até meados do Séc. XX, que foi a de Moçambique.
No Brasil, o processo de emancipação começou, mais efetivamente, 14 anos antes do famoso grito de Independência ou Morte de D. Pedro, às margens do riacho Ipiranga.
Até ali movimentos populares e republicanos, normalmente com maiores preocupações regionais, foram dominados pelo governo monarquista onde os aristocratas e intelectuais envolvidos eram sempre penalizados de forma mais leves do que os qualificados em classes menos favorecidas na sociedade de então.
No Brasil, em uma análise fria, a Independência de 7 de Setembro foi estruturada por uma maioria de descendentes de portugueses, porque não dizer de portugueses, da aristocracia rural cá da terra de uma forma que se garantisse as regalias dos mesmos, onde o escravismo e o latifúndio eram a grande fortuna, e para isso o melhor caminho era deixarem de serem portugueses para passarem a serem brasileiros, onde além da população menos favorecida ter ficado de fora do movimento, a não ser para o de sempre nestas ocasiões, que é o de ser pano de fundo, os nativos cá do sítio ainda hoje lutam para poderem definir qual são as suas áreas para sobreviverem, chamadas de “ reservas indígenas”.
Ainda assim, havia um povo por trás, que queria, e quer sim, fazer deste um grande país, e vem de degrau em degrau construindo-o, quebrando os velhos costumes, os sistemas dos velhos coronéis, e colocando este País no lugar que merece.
Já Moçambique, uma Independência que acompanhei parcialmente, foi sem dúvida alguma muito mais estruturada por gente descendente de nativos daquele continente, mesmo que também apoiados por gente que por muitos poderiam ser vistos como colonizadores.
A dificuldade de se ver tanto num como em outro, uma Independência para todos, é difícil nos seus primeiros anos.
Mas há, sem dúvidas, como se tirar lições nos dois distintos processos de autonomia destes dois países, e creio que Moçambique, e não só, poderá tirar vantagens da História do Mundo.
Contudo, hoje os parabéns são para Brasil, embora utopicamente sonhe sempre com um mundo sem fronteiras e que as lutas se restrinjam e tenham ainda maior foco nas questões sociais.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Vantagens na mudança de um cronograma

Esta segunda-feira, dia 11, parti de Curitiba rumo a Cascavel, para cumprir com alguns compromissos profissionais. Foram juntos três colegas de trabalho, sendo um deles um prestador de serviços que veio de São Paulo, onde tivemos uma reunião inicial ainda em Curitiba.
Saímos de Curitiba por volta das 13:30hs, e programávamos rodar os 496 km em aproximadamente 6 horas. Ou seja, por volta das 19:30hs pretendíamos estar em Cascavel.
Mas acontecem pequenos desvios na programação que acabam por nos criar outras oportunidades, mesmo que neste caso acabássemos por chegar ao destino somente às 23:30hs.
Havíamos percorrido próximo de 150 km e um cheiro de borracha queimado me fez encostar o veículo no primeiro lugar seguro do acostamento. Identificado um problema em um pequeno rolamento do tensor da correia, que fez com que a polia ficasse parada, com a correia correndo por ela queimando e exalando o tal cheiro de borracha queimada, aguardamos a chegada do socorro da empresa responsável pela concessão da estrada, que aqui devo realçar, com um atendimento rápido e eficiente.


Levou-nos o carro para uma oficina de uma cidade próxima, que já muitas vezes havia visto a placa identificando-a, mas nunca havia entrado no trevo à esquerda para visitá-la.

Enquanto aguardava o conserto do carro, pois acabou por demorar um pouco mais do que gostaríamos a procura do tal pequeno rolamento em alguma das auto-peças da pequena cidade, acabei por pegar a máquina fotográfica, já sem muita luz natural, e fui andar pelo meio de pequenas mas graciosas ruas da cidade.
Fui parar em uma praça onde se vê uma grande e bonita Imagem da Nossa Senhora das Graças, sobre uma pequena Capela.




Percebo que desta praça temos uma bela vista para vários pontos da cidade, e observo que é Irati uma cidade com uma arquitetura que demonstra ser esta uma cidade que conta na sua paisagem um tanto da história do Paraná e do Brasil.







Tirando a minha ignorância, creio que esteja ali uma cidade mal trabalhada turisticamente. E nunca ouvi ninguém falar dela com este foco.

Hoje, até visitei o site da Prefeitura de Irati para saber um pouco mais dela, e até fiquei sabendo que este município até já andou ganhando uns Selos do Ministério do Esporte e Turismo devido ao seu potencial e engajamento ao planejamento turístico! Arre! A minha ignorância me espanta ou me espanta eu estar na capital do Paraná e não ver aqui Irati ser divulgada.
Bem dito seja o rolamento que me quebrou a 150 km de Curitiba!

Falando em quebrar, lembro-me que arrumaram o carro, e devo agradecer ao pessoal da oficina a forma atenciosa e não exploradora da situação de 4 viajantes com compromisso e com um carro quebrado na estrada.

E parabéns pela forma simpática e pelo esforço de promover a sua cidade, sem apoio aparente, nem mesmo de material promocional, do senhor que explora comercialmente uma pequena lancharia (biscoitos, sorvetes, refrigerantes, outros) junto à Capela de Nossa Senhora das Graças.

domingo, 27 de julho de 2008

Brasileiro é bonzinho ?


Vôo do Brasil para Portugal desta vez não leva imigrantes e sim investimentos de cerca de 148 milhões de euros, aproximadamente 500 empregos diretos, e alguns quantos indiretos.
A Embraer, empresa brasileira com tecnologia de ponta, que tem projetos de expandir o seu parque de industrialização das suas aeronaves para o velho continente, decidiu instalar duas fábricas em Évora, Portugal.

Talvez seja este um caminho, de interesses mútuos por negócios, que para a maioria dos portugueses que nunca vieram ao Brasil, deixarem de acreditar que os brasileiros que chegam a Portugal antes só sabiam o que era futebol, carnaval e praia... e que não falam português por acaso!

*28/07 - No Ma-Schamba, uma figura recuperada de 1922, via Achtung Baby, adequadissima ao momento.

domingo, 8 de junho de 2008

Quedas do Iguaçu, Paraná

Fonte da Imagem: Site da Prefeitura de Quedas do Iguaçu
Em homenagem a um visitante "invisivel" do Lanterna Acesa, e visitante também de outros lugares que também visito, deixarei hoje aqui uma referência a uma região do Brasil, geográficamente linda, e de grande importância para a minha vida pessoal.
Falo de Quedas do Iguaçu, no Paraná, onde por lá andei por um ano, prestando serviços, e de lá, por indicação, fui para o Sudoeste do Paraná, que então acabou-me empurrando para Curitiba, sem antes ter deixado de passar por outros trilhos.
Em Quedas do Iguaçu fui dar a devida importância ao pinheiro símbolo do Paraná e à sua história, a Araucária, à história do pássaro Gralha Azul, e a aprender a comer pinhão cozido ou assado.
Agradeço a Deus a oportunidade de ter conhecido Quedas do Iguaçu, e agradeço as oportunidades que Quedas de Iguaçu, de alguma forma, me criou.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

“...quem questiona a soberania da floresta deveria passar por qualificações psicológicas.”


Surgem novamente vozes pelo mundo sobre a legitimidade, ou não, dos países onde a Floresta Amazônica faz parte dos seus territórios serem consideradas proprietárias da floresta em questão.
No passado, François Mitterrand, ex-presidente francês, e a ex-primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, já levantavam esta questão. Al Gore, quando vice-presidente americano, chegou a afirmar em 1989, "que ao contrário do que os brasileiros acreditam, ela não é prioridade deles, ela pertence a todos nós".
Desde os Séc. XVII e XVIII, quando ainda não se ouvia falar de aquecimento global, chegaram à Floresta Amazônica os primeiros naturalistas estrangeiros, americanos e europeus, para a estudar, para então ficarem entusiasmados com o potencial da região, alertando já na época a atenção do mundo para esta questão.
Na metade do Séc. XIX, um comandante americano, Matthew Maury, defendia a livre navegação internacional do Rio Amazonas.
Os Estados Unidos chegou a enviar uma embarcação, quebrando a soberania brasileira, para navegar pelo rio, em território brasileiro até Iquitos, no Peru, criando uma crise diplomática entre os dois países, Brasil e USA.
Mais tarde, em 1948, através da UNESCO, tentou-se por via da criação de um instituto, internacionalizar-se a administração da Amazônia, tentativa frustrada pelo Parlamento brasileiro.
Tínhamos, desde primórdios tempos, videntes sobre o aquecimento global ou cientistas, estrategistas, e empresários com uma visão clara do potencial da Floresta Amazônica?
Sem esquecer da importância desta Floresta para o Planeta, e a necessidade de melhorar a sua sustentabilidade, até porque o Hemisfério Norte já acabou com as que tinha, a frase que ouvi do novo Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Carlos Minc, é o que posso e me apetece repetir:

“...quem questiona a soberania da floresta deveria passar por qualificações psicológicas.”


Mas em 2000, em uma palestra nos Estados Unidos, um estudante pediu ao político brasileiro, ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, o que pensava da internacionalização da Amazônia, e ainda solicitou que a resposta fosse a visão de um humanista e não de um brasileiro. A resposta já foi uma palestra de humanismo, humanismo com um grande sentido de soberania, que tão bem cai nesta novo ciclo de internacionalização das riquezas alheias:


"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Há que democratizar a nossa democracia!

Fonte: aqui

A ditadura do poder econômico dentro de uma acomodada população democrata é evidente no nosso dia a dia, mas quando aparece quantificada em estudos sérios parece que fica ainda mais assustadora. Os números vistos e analisados tiram-nos da anestesia que a auto-defesa nos cria.
Um resumo de um estudo feito pela ONG Nossa São Paulo mostra a seguinte distribuição de verbas da prefeitura e de infraestrutura de uma das maiores cidades do mundo:
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1- O volume de recursos que chegam aos bairros (subprefeituras) mais ricos chegam a ser 4 vezes maiores do que de que os que chegam aos bairros mais pobres:


a. Subprefeitura de Pinheiros - bairro com maior orçamento per capta – R$ 126,59;


b. Subprefeitura de Capela do Socorro – Bairro com menor orçamento per capta – R$ 31,43;


c. Subprefeitura de Pinheiros - 245 mil habitantes divididos por 32 km2;


d. Subprefeitura de Capela do Socorro - 645 mil habitantes em uma área de 134 km2;

2-Leitos de hospitais disponíveis por subprefeituras:


a. Média geral da cidade de São Paulo – 2,84 leitos por cada 100 mil habitantes


b. Melhor média – região da Sé (região central) – 18,64 leitos por 100 mil habitantes


c. Pinheiros – 12,53 leitos por cada 100 mil habitantes


d. Campo Limpo – 0,2 leitos por cada 100 mil habitantes


e. Existem regiões que chegam a zero leitos!!!

3- Escola / horas aula


a. Em bairros mais pobres, o ensino fundamental é divido em três turnos/dia de 4 horas para atender mais alunos. O turno intermediário das 11:00hs às 15:00hs é conhecido pelo “turno da fome”;


b. Nos bairros mais ricos a carga horária é de 6 horas, dividida em dois turnos/dia;


4- Dizem os responsáveis pela ONG que fez o estudo, que não é mero acaso, e a gente sabe disso, que estas estatísticas onde identificam o baixo nível de infraestruturas (baixo investimento público), encontram-se os altos níveis estatísticos , como:


a. Piores indicadores de criminalidade juvenil


a1. A subprefeitura nobre de Vila Mariana é o que tem o menor nivel de morte violentas – 10,19 por 100 mil habitantes


a2. Já a subprefeitura da Casa Verde / Cachoirinha tem um índice de 174,92 mortes violentas por 100 mil habitantes.


Comentário: Um dos responsáveis pela ONG, sr. Pereira, compara os índices dos bairros ricos aos índices de países desenvolvidos, e os dos bairros pobres ao de países em guerra.


Há que democratizar a nossa democracia!

*Ano base da estatística: 2006.

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Adenda: Se tiver interesse em ver outras avaliações, visite o site da Nossa São Paulo.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Encontro histórico...

Este desenho animado histórico da Walt Disney, de algumas dezenas de anos atrás, me consegue vender a fantasia que o Brasil é naturalmente alegre e lindo. Na verdade não é uma fantasia. O Brasil é naturalmente alegre e lindo. Os homens, no qual estão incluídos uma parte de brasileiros, é que estragam a "Aquarela Brasileira" o quanto podem.

Ainda assim, é este um belo de um país, com um belo de um povo, que como tal e como Estado recebeu a minha família e muitas mais, vindas das ex-colônias portuguesas na década de 70, de braços abertos, sem nos fazerem muitas perguntas, abrindo-nos, às crianças e adolescentes, as portas das escolas públicas como brasileiros fossemos, o mercado de trabalho aberto para adultos, com a disputa que os brasileiros também encontravam.

Para completar, encontrei neste país uma outra grande nação, a nação Rubro-Negra, o Flamengo do meu coração, o time de futebol que tem a maior torcida do planeta. :)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Cartilha


"Deixe suas mãos visíveis e não faça nenhum movimento brusco..."


"Não discuta com o (!) nem toque nele..."

Em um país com os níveis de violência que o Brasil enfrenta, as frases acima caberiam bem em uma cartilha para orientar a população como se comportar quando se defrontar com um assaltante.
Não é bem o caso. A Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão da Presidêndia do Brasil, lançou uma campanha denominada “A Polícia me parou. E agora?”, onde um milhão de folhetos já começaram a ser distribuídos, em molde de cartilha com frases como as citadas acima, para orientar a população, em especial os jovens, como se comportar quando receber uma abordagem policial.
Tem algo muito errado cá no sítio, pois isto é muito pela truculência policial mal preparada.
Há que assumir, mas espero que mais folhetos para treinar os policiais sejam feitos, e que melhores condições de trabalho lhes sejam dadas para que possam trabalhar em situações emocionais mais adequadas.

terça-feira, 25 de março de 2008

'Faça o que quiser, mas faça com camisinha'



No início do ano comentei a hipócrita postura da Associação de Profissionais por uma Publicidade Responsável, na França, por esta ter “censurado” um cartaz de uma campanha contra a AIDS (SIDA) naquele país, onde apareciam dois homens sem roupa, em uma cama.
Hoje é dia de aplaudir o Ministério da Saúde do Brasil pela coragem de enfrentar, sem preconceitos e sem melindres, a preocupação com o aumento de contagiados com a “maldita” e outras doenças sexualmente transmissíveis entre gays e travestis.
Com uma campanha com o slogan 'Faça o que quiser, mas faça com camisinha', com material como o cartaz adesivo aqui reproduzido, e folhetos a serem distribuídos em bares, boates e festas onde o público alvo tenha presença, o Ministério da Saúde demonstra que para enfrentar problemas graves há que começar por atacar o primeiro deles, o mix do preconceito com a hipocrisia.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Carnaval - Grupo Especial Carioca


Os desfiles do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro começam hoje às 21:00hs na Avenida Sapucaí.
Três escolas têm no seu enredo o tema dos 200 anos da mudança da Família Real para o Brasil.
Mas a grande polemica deste ano vem em cima da censura, a pedido da Federação Israelita do Rio de Janeiro e que a Justiça local acatou, sobre um dos carros alegóricos da Escola Viradouro que era representado por corpos empilhados e pela figura do ditador e nazista Hitler, representando o holocausto. Se alguns podem achar infeliz a idéia de misturar o holocausto com carnaval, com toda a certeza mais infeliz foi a iniciativa do pedido da Federação Israelita carioca e ainda mais a Justiça ter acatado tal pedido. O carnavalesco da Viradouro, Paulo Barros, promete protestar. Torço para que seja durante o desfile.
Já a minha Mocidade Independente de Padre Miguel abrirá o desfile de segunda-feira com o enredo "O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma utopia na história ".

Letra completa do enredo da grande Mocidade, "O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma utopia na história "
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Portugal... Bendito seja!
Abençoado pelo criador
Uma utopia, um destino, um sonho
Místico, de grandes realezas
Sonhar...
Com glórias um rei desejar
E o sol volta a brilhar
Com a esperança no olhar
Mas desapareceu, como um grão de areia no deserto
E “encantado renasceu” em cada ser, em cada coração
Para afastar a cobiça, na busca do ideal:
O quinto império universal
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Deixa o meu samba te levar
E a minha estrela te guiar
À praia dos Lençóis, nas crenças do
Maranhão
Tem um castelo, que é do Rei
Sebastião
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No Rio de Janeiro aportaram caravelas
Trazendo a família real
Progresso em cores combinadas
Debret retratava a transformação
Nas terras tropicais do meu Brasil
A herança... A dor, o mito “ressurgiu”
Eis o guerreiro sebastiano“o mais ufano dos lusitanos”
Em verde-e-branco
Que traz no peito uma estrela a brilhar
De norte a sul desta nação
Faz a manifestação popular
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Minha Mocidade... Guerreira
Traz a igualdade, justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro
(Amor)
Canta Mocidade... canta!
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Cheias...



Moçambique / Brasil
Fonte das fotos: PÚBLICO.PT (Moçambique) e Portal MAratimba (Brasil)



Ao ler notícias sobre as cheias em Moçambique, pensei em fazer um paralelo da tragédia moçambicana com a que se vem passando no Brasil, em especial no estado de São Paulo.
Acabei por deletar o texto quando tinha ainda poucas linhas por já me mostrar que não há como se fazer paralelos de tragédias, ou porque temos situações sociais diferentes, embora em planos terceiros “mundistas”, ou porque temos condições geográficas diferentes nas regiões mais atingidas ...
O que pude perceber é que se levanta em Moçambique a possibilidade das cheias que por lá chegam ainda não estarem no seu pico e que podem mesmo virem a ter níveis piores do que as que aconteceram em 2000 / 2001. Coloca-se mesmo a possibilidade que os níveis das cheias venham aumentando nos últimos anos, mas não se sabe ainda dizer se é uma tendência ou um ciclo.
Casualmente, ou não, as chuvas que se precipitam na região do Estado de São Paulo estão acima da média dos últimos 15 e 40 anos, dependendo das micro regiões atingidas. Também é por aqui período de chuvas e de enchentes, termo mais usado por terras brasileiras, mas o volume de água que tem caído estes dias é muito grande.
Se é o “El Nina”, se é o planeta que está ficando quadrado, ... que é difícil de brigar com e prever a natureza, é...mas sabendo que existem alguns ciclos a serem repetidos, com mais ou menos intensidade, haveriam os governos envolvidos estar mais comprometidos com programas preventivos, em especial quando temos inúmera população em regiões hidrográficas e geograficamente localizadas que as deixam mais prepostos a este tipo de tragédia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Espirituosidade brasileira

Fonte da imagem: Site da UOL


Há momentos da vida que nos deixam de saco cheio. Mas aproveitá-los, mesmo no leito da passagem, para deixar eternamente esta mensagem, só neste Brasil de gente eternamente espirituosa.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Copa 2014!


Fonte da imagem: Site UOL

Sem outro candidato na América do Sul, foi hoje confirmada pela FIFA que a Copa de 2014 acontecerá mesmo no Brasil.
Agora começaremos a fase dos posicionamentos a favor e contra em relação a um evento deste porte. Haverão os que dirão que existem prioridades outras muito mais importantes para um país onde a pobreza e miséria são ainda aparentes. Haverão os que dirão que um evento desta envergadura gerará nos próximos 7 anos de preparativos empregos em todas as áreas, da construção cívil à prestação de serviços a vários níveis. Há os que tremem com os desvios de verbas que deverão ocorrer nestes mesmos 7 anos de preparativos.
Pessoalmente estou no grupo que acredito que o Brasil tem tudo para realizar uma bela Copa do Mundo, que o evento poderá trazer grandes benefícios para a população e economia do país e que estarei fazendo a minha pequeníssima parte, e torcendo para que todos façam a sua, para que as verbas que o Estado direcione para a realização do evento sejam usadas como deve ser e sobre o controle de órgãos comprometidos com a ética. Torcer ainda que uma das fatias da sociedade mais interessadas que a economia vá bem, que é a iniciativa privada, se envolva nos investimentos deste mega projeto que tem tudo para vender a imagem de forma positiva deste grande país, seja no seu potencial turístico como na sua capacidade produtiva e organizacional.
Para fechar, torço para que Curitiba receba uma das chaves e que tenha nela uma das seleções que façam o meu sangue de torcedor correr para uma das arquibancadas em pelo menos um joguinho que seja.
Boa sorte, Brasil, na organização e nos resultados da organização do evento!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Lazer rural

Trilhas a pé, cavalgadas, cachoeiras de 15 e 25 metros de altura, pedalinhos, cheiro de "chuva verde com terra", ponte assim, ponte assada, tiroleza...sim, isto tudo com a Equipe Nota 10 do Dona Francisca.














Imagens Rurais

Imagens registradas no feriadão no Hotel Fazenda Dona Francisca, que aqui divido com os amigos e visitantes do Lanterna. Sem títulos, sem comentários, só as imagens captadas.







quinta-feira, 19 de abril de 2007

Reage Rio!!!

03/03/2007

Aproximadamente 1.000 pessoas se deitam na calçada da praia de Copacabana para simular as vitimas da violência na cidade do Rio de Janeiro em 2007. Foto: Bom Dia


17/03/2007

700 cruzes são enterradas na praia de Copacabana representando 700 pessoas assassinadas entre o dia 01/01/2007 e 15/03/2007 na cidade do Rio de Janeiro. Foto: Estadão

19/04/2007

1.300 rosas espetadas na praia de Copacabana representando as vítimas fatais só em 2007 na cidade do Rio de Janeiro. Foto: Gazeta do Povo

Um grupo de cariocas vem mostrando em manifestações o que faz doer os olhos e os corações de quem vê a sua forma de cobrar Paz para uma das mais belas e simpáticas cidades do Mundo. Sim, não basta pedir-se Paz. Há que se exigir Paz. Não se podem fazer eventuais desfiles pelas ruas do Rio, vestidos de branco, como estivéssemos pedindo aos bandidos que tivessem dó das pessoas de bem. Há que cobrar responsabilidades das autoridades Municipais, Estaduais e Federais para que a Paz e a segurança minima esperada para uma mega-capital mereça. É sabido que os problema plantados na cidade do Rio de Janeiro não ficam só na esfera de um prefeito. É sabido que nem a cidade e nem o estado do Rio de Janeiro fazem fronteira com outro país e que as armas e as drogas pesadas que estão na mão dos pequenos traficantes dos morros chegam de outros países. Chega de pedir clemência a bandidos. Há que pedir justiça a quem tem que garantir justiça.

Garganta do Diabo

Fonte da foto: Wikipedia

A Garganta do Diabo é como é chamado o conjunto de saltos mais famosos das Cataratas da cidade de Foz de Iguaçu, no Paraná, Brasil. Agora, representantes evangélicos do Centro de Integração da Família (CEIFA) fazem força e barulho para mudar o nome para Voz de Deus. Dizem que o nome atual pode confundir os turistas e criar um impressão negativa do lugar. Eu fico sem entender como é que pode ser este lugar o mais visitado do Paraná e um dos mais visitados do Brasil.
Com toda a certeza que Deus tem mais auto-confiança na própria obra do que os pastores que abraçaram esta causa.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Em um país de emigrantes...


Fonte das Imagens: Grupo da Matola e Blog Chuínga

Se no Brasil, e em muitos outros países, colocassem um cartaz similar ao primeiro que aqui vemos, eu e alguns milhares, senão milhões, de portugueses estávamos lixados.
Nacionalismo, com tons de xenofobia, acaba por criar reações como o segundo cartaz que aqui vemos.