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domingo, 12 de outubro de 2008

Memórias de José Moreira de Carvalho



Meu Caro Zé Paulo,
Nestes tempos conturbados de turbulência financeira global onde os banqueiros e grandes investidores arrancam os cabelos vendo fugir os seus milhões, e os normais, como nós, vão pagando o pato, me lembrei de te mandar uma ou outra piada da nossa antiga África que outro sentido não tem senão descontrair o dia a dia.
Vamos lá: Em Vila Pery, no bar do Joaquim frente à estação, sempre ia o Estevinho, contador do Grémio, que era um copo de primeira e que ao fim da tarde já estava pra lá de Bagdá, mas sempre muito bem comportado.
Certo fim de tarde, o nosso Amigo lá estava e apareceram dois caras da SOALPO, gêmeos iguaizinhos e pediram uma bebida.
Diz o Estevinho: "Joaquim, eu devo estar muito bêbado...estou vendo tudo a dobrar!!!"
- Nada, - diz um dos rapazes - é que nós somos gêmeos...”
- Ó quê... os QUATRO?

Um abração e bom final de Domingo do Tio Zé.

domingo, 6 de julho de 2008

Memórias sem cronologia (I)

A década de 70 me foi dividida entre a Beira (Moçambique), alguns meses no Rio de Janeiro (Brasil), Zónuè e Vila Pery (Moçambique), Itapetinga na Bahia, Rio de Janeiro no Rio de Janeiro, Campina Grande e João Pessoa na Paraíba e Recife em Pernambuco, estas no Brasil.
Já na Beira, nos meus 11 para 12 anos, comecei a ouvir o Cat Stevens, o agora Yusuf Islam. Dou mais enfase à década de 70 porque foi uma música que me marcou esta fase, mas o ouço ainda hoje, nos meus quase 48 anos de idade.
Muitas vezes foi música de fundo dos meus sonhos de adolescente, outras vezes foi enredo de sonhos vividos.
Sempre tive o ídolo Cat Stevens como exemplo de poeta mensageiro da paz, da interação entre os homens.
Quando estava no Rio de Janeiro, lá por 1976, conheci, do lado de fora, a casa que o mesmo tinha nas encostas do Recreio dos Bandeirantes, no início da praia / bairro da Barra da Tijuca. Uma bela casa, em belo lugar,com um belíssimo visual. Pensei: Um felizardo, pode pagar um dos metros quadrados mais caros do planeta!
Mais tarde, fiquei sabendo que além de ter vendido a tal casa, tinha deixado tudo para ir para o Tibete. Mais admiração passei a ter pela personalidade. Só depois fiquei sabendo que não tinha ido exactamente para o Tibete e nem para o lado do budismo, tão em voga na época, mas sim se convertido ao islamismo.
A admiração manteve-se até que surgiu o obstáculo quando chegou a notícia de que o agora Yusuf havia apoiado a pena capital contra autor dos Versos Satânicos, o poeta Salman Bushdie.
Confesso que fiquei na altura com uma certa dificuldade de ouvir o Cat Stevens / Yusuf.
Mas com o tempo voltei a relacionar música do mesmo, tocada nos tempos da minha adolescência e juventude, como mais tarde já como Yusuf, aos meus sonhos e até às minhas lembranças dos sonhos vividos em Moçambique e no Brasil.