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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Guantánamo

Fonte da foto: Água Lisa

A decisão de transferir de endereço os presos políticos / terroristas, ou suspeitos de actos terroristas, o qual colocam na mídia como o “fechamento de Guantánamo”, não me deixa em estado de euforia.
Já a decisão de Obama em proibir (e não era?) a tortura em interrogatórios de suspeitos de terrorismo e fazer com que a agência de inteligência siga as regras de interrogatório do manual do campo do Exército, seguindo as leis internacionais, essa sim é uma decisão que me deixa convencido de boas intenções de Barack Obama.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Não voto nos Estados Unidos...

Fonte da imagem: Estadão


Não voto nos Estados Unidos, mas se votasse provavelmente votaria em Barack Obama. Porque não gosto dos republicanos, porque os últimos democratas que passaram pela Casa Branca me foram mais simpáticos.
Obama ganhou e de facto mostra que passamos, junto aos americanos, por uma data histórica.
Obama, sem dizer exatamente qual o programa de governo que pretende adotar, conseguiu convencer uma maioria americana, e do mundo, de que...”yes, we can”..., mas só o futuro poderá nos dizer para onde ele levará o seu país, além de redirecionar as suas tropas do Iraque para o Afeganistão. Se deixará de ser um pop star e se transformará em um bom gestor, inclusive de conflitos mundiais.
A eleição de Obama mostra como estamos passando, de forma um tanto atrasada, tristemente atrasada, por um momento histórico quando o que mais se houve hoje é que se elegeu o primeiro presidente negro americano.
Concordo que estamos falando em um país que há um pouco mais de 40 anos a segregação racial era problema grave. Que estamos falando de um país onde os negros representam pouco mais de 12% dos eleitores, e que nem todos devem ter votado nele, e que ainda assim elegeu-se um negro com votos de maioria de não negros.
Mas dever-se-ia dar tanta ênfase a se eleger um não branco? Não deveria ser algo natural? Sim, talvez sim, deva-se dar a tal ênfase. O mundo, como os Estados Unidos, está mesmo em marcha lenta, mas parece que vem mudando. Mas não consigo, neste tema, ficar eufórico. Fico mesmo preocupado. Por mim, pela sociedade, e pelo Obama.

sábado, 27 de setembro de 2008

"O delírio e o supositório"

Imagem : Montagem
Por António Maria G. Lemos, em 25/09/08



Dizem que os povos de origem latina gostam de um drama. E quanto maior ele for, mais audiência e regozijo ele dará. Tudo bem, confesso essa nossa particularidade do gostar de chorar em massa. Parece que sózinhos não conseguimos ser tão tristes. (Como se no sangue de todos nós navegasse um gene de uma carpideira)

No entanto ao ver e ouvir ontem "Nephew Sam Jr.", vulgo Bush, falando para os americanos, tive a sensação de estar vendo a repetição de um filme barato já visto.

A última vez que ele apareceu na TV com aquela carinha de "mamãe, juro que não fui eu", o mundo inteiro viu uma nova guerra começar que até hoje não trouxe paz para o Iraque, nem para o mundo anti-terrorista. No entanto elevou o preço do petróleo e gás, lotou Guantanamo de presos ilegais, espalhou o ninho de extremistas pelo mundo a fora, e continua consumindo bilhões de dólares anuais. (Parece que as ações das empresas de armas e reservas naturais não caiem nunca!)

No entanto a carinha e a conversa dele parece ter surtido efeito. Para muitos é uma carinha tão convincente, que ajuda o paciente a relaxar, despir o seu traseiro e aceitar o remédio sem gemer.

Bush ao usar argumentos "explicativos" para a intervenção do Estado no mercado privado como; "se o Estado não interferir agora, vocês deixarão de ter uma agência bancária no seu bairro, não haverá bancos para darem o seu crédito agrícola, nem para comprarem a casa própria(?!)... a empresa onde trabalha pedirá concurso público por falta de reservas e você perderá o emprego....etc,etc,etc...por isso espero que a câmara de deputados e senadores aprove o nosso pacote econômico de salvação nacional..." Fez com que o cidadão normal, que trabalha 10 horas por dia, passa horas nos transportes públicos e que nunca pediu empréstimo a banco, (ou lhe foi rejeitado uma renegociação já antes do "crash" financeiro), mas jamais deixou de pagar o imposto de renda pontualmente, para não ter o mesmo fim de Al Capone. Ao ouvir os "argumentos" entrou em catarse nacional e numa amnésia solidarizada, esqueceu todas as origens da crise atual.

Mesmo sem entender nada de bolsa de valores e do mundo financeiro em geral, exigem que o senado aprove o cheque em branco, do qual eles muito provavelmente só o zero receberão.

Ou seja, sem entendermos ou pensarmos muito sobre os argumentos do Bush Jr., - em muitos casos tão „verdadeiros e reais“ como foram os argumentos usados por ele para unir e convencer o senado e povo americano para invadirem o Iraque de Sadam - concordamos que agora há mesmo que se fazer algo que evite o colapso e recessão econômica „mundial“. Na histeria atual, queremos pressionar o(s) governo(s) a dar um cheque em branco para a mão de empresários e banqueiros que não souberam cumprir as suas funções profissionais, e isso penso ser um absurdo. Primeiro durante anos ganharam trilhões vendendo gato por lebre - papeis de alto risco como se fossem papeis de baixo risco - o que na lei se prevê como sendo um acto ilegal e digno de prisão. E agora que afundaram o barco, os mesmos de sempre, ainda recebem um bônus!?

Ajudar sim, mas com condições e controles sobre os culpados da crise. Assinar cheque em branco não!

Quando vejo a câmara e o senado americano querendo ajudar, mas não a qualquer preço e não a qualquer um, penso que além das querelas políticas internas e não mundias, estão desta vez tentando não repetir o mesmo erro que fizeram ao terem aceite os argumentos de Bush para a invasão do Iraque. Pois se tal cheque for assinado novamente em branco, tal como no passado alguns países o assinaram, esta será a próxima guerra assinada em branco que não trará certeza nenhuma de calmaria ao mercado financeiro e consumirá muitos mais outros bilhões de dólares, nos próximos anos. E se os ganhadores de ontem foram os grandes consórcios de armas, a eles agora só se juntarão os especuladores da bolsa de valores e os banqueiros „indemnizados“.

Há verdadeiros especialistas da matéria que também dizem;

"Dinheiro que sai da bolsa e entra no mercado como forma de investimento directo na economia, também gera novos empregos e aquece a economia...

As exportações mundiais não dependem mais do mercado consumidor americano...

As reservas do nosso banco central aguentam mais dois crash desses...

Ainda tem muita gente ganhando na bolsa e muito mais vai ganhar agorar...

Esta crise vai amadurecer e acordar o mundo financeiro, transportando-o novamente para a realidade, o que é extremamente saudável...

O banco central alemão não salvará nenhum banco particular, só garantirá os fundos de aposentadoria que estejam investidos em ações desses bancos...

...etc,etc,etc..."

Hoje não importa e nem vale pena querermos ver ou analisarmos outras formas de pensar, que sejam isentas dessa histeria. Perceber que a forma de argumentação histérica usada hoje, muitas vezes nada mais é do que uma manipulação muito bem instrumentalizada por interesses financeiros e políticos, e que pretende na verdade atravessar o pânico além fronteiras americanas. Fazendo outros bancos centrais embarcarem nessa canoa e nos fazer esquecer que é exatamente por culpa da péssima gerência político e econômica da Era Bush, que esse poderio mundial e o neo-liberalismo nunca esteve tão perto do fim.

O verdadeiro negócio agora, à beira de novas eleições, é não se falar mais do dinheiro ou das vidas que estão sendo gastas no Iraque. Nem das hipotecas não renegociadas há um ano atrás, ou da punição dos responsáveis por este colapso da economia.

Para estar dentro da linha atual o melhor é mais uma vez não penar e simplesmente decidir dizendo; „welcome innocently boy"... já baixamos as calças para a cura milagrosa.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

"A imprensa e a nossa dependência de baboseira"



Por António Maria G. Lemos
É claro que saber quem será o próximo presidente dos EUA é de interesse mundial. No entanto, apesar de que só nos deveria interessar saber dos factos da plataforma política dos candidatos, somos obrigados a ler a estupidez gerada para o mercado americano, em todos os cantos do mundo. Como se o Pato Donald fosse também o nosso herói!
A quem deverá interessar saber, da Patagônia à Sibéria, se fulana está grávida ou não, se o furacão Gustav é "a mãe das tempestades" (?!) e por isso os Republicanos adiam o seu congresso... etc, etc?
Apesar do tal Gustav ser "a mãe" da política republicana e por sorte „dos bons ventos" não ter causado os estragos muito especulados e usados na política americana, o que mais vimos na TV e nos jornais em todos os países, foi a tempestade de Nova Orleans, quando na verdade o Gustav foi mesmo pesado em outros países da região caribenha.
No espaço das mídias locais, quantos segundos na TV ou linhas escritas nos jornais foram dedicados a esses países? Onde além de lá terem falecido muitas pessoas, nem os sobreviventes nem os governos locais têm dinheiro ou seguros para reconstruir a perda material pessoal e das frágeis e pobres infra estructuras básicas desses países. Será isso menos importante que o "Show" to tio Sam?
O que mais me irrita é que a mídia do mundo ocidental, de uma forma geral dá sempre um destaque exagerado a tudo que vem da terra do "Tio Sam".
Neste colonialismo de mídia assumido por própria vontade, o mundo noticioso virou um imenso bordel de revistas de cabeleireiro; onde o que interessa é saber quem não está mais com quem, em qual ilha está na moda se transar ou fazer operações plásticas, e saber que „queridinhas" são as filhas do Obama, ou quantos meses de gravidez tem a filha da Vice Republicana.
Me pergunto, já faz tempo, do porquê da importação de fofocas feitas para eleitor americano, onde sabemos que tudo não passa de mais uma série de TV de baixíssima qualidade, quando há notícias mundiais e locais, de maior realismo, sensibilidade humana e politicamente mais factuais e importantes para se repassar?
O pior de tudo é que quanto mais penso nisso, chego á conclusão que nós leitores somos os verdadeiros culpados. Afinal, infelizmente, os meios de comunicação, hoje em dia estão nas mãos de "managers" pagos por empresários e banqueiros, e não mais na mão de jornalistas com compromisso pelos factos e a verdade. A imprensa só divulga - quando não inventam - as notícias que melhor se consomem.
Dizem sempre que estão em crise, mas pagam milhões para terem os direitos de divulgar as fotos dos gêmos de não sei quem, ou ao invés de pagarem um décimo desse preço a jornalistas, "câmera-mans" e fotógrafos para irem investigar Darfour, Geórgia, China, desbravamento ilegal de florestas, sistema de saúde, educação, a corrupção nas nossas sociedades, e outros temas muito mais relevantes das nossas vidas e sociedades.
E nós. os pseudo-espertos, pagamos e gastamos tempo falando (ou escrevendo) sobre tanta infantilidade made in USA ou proeminentes da estupidez.
É a isso que chamo de analfabetismo letrado.
Mea culpa, mea culpa, mea culpa
António Maria

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Campanha dos sobrinhos do Tio Sam


O que teve mais efeito negativo na campanha do McCain? O Bush na convenção republicana com o seu discurso bélico ou a notícia da filha da candidata a vice Sarah Palin, de 17 anos e solteira, com a sua gravidez?
Em um país cheio de falsos moralismos, os democratas já devem ter enviado para o futuro bebe a carteirinha do partido.


Mas o namordo da garota já apareceu na convenção repúblicana sendo recebido pelo McCain... é, talvez as mudanças também cheguem aos Estados Unidos...pelo menos em tempos de campanha!

domingo, 15 de junho de 2008

McCain aproxima-se do Brasil?


O candidato republicano a presidente americano aproxima o seu discurso aos interesses brasileiros. Para isso não deixa de usar um antigo namoro, em 1957, com uma carioca que “morava perto do Pão de Açúcar”.
Elogia o programa de “energia limpa” brasileiro, leia-se o etanol de cana de açúcar brasileiro, que afirma ser muito mais eficiente que o etanol de milho americano. Diz que se eleito, acabará com a taxa de U$ 0,54 por galão importado de etanol brasileiro, que acabará com os subsídios ao etanol de milho americano, este sim, já alertado por ele em Iowa que iriam destruir o mercado e hoje responsável pelo aumento da inflação.
Neste tema, Obama defende uma cooperação energética com o Brasil, mas não fala em acabar com subsídios ao etanol de milho dos americanos.
Mas voltando ao McCain, defende também cadeiras cativas para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU e no G-8, uma das maiores bandeiras do governo Lula no campo da diplomacia internacional.
Fala ainda sobre a participação do Brasil em uma propensa “liga das democracias”, que teria como objetivo dar um contra-peso ao que se classifica de regimes autoritários, como o russo e o chinês.
Será que o McCain na suas voltas pelo território americano, a bordo de um jatinho executivo fabricado no Brasil, o Embraer 190, tem uma expectativa de ouvir do Lula que este nunca ouviu falar de Fidel e irmãos?