
domingo, 29 de junho de 2008
«Ricardo Rangel, Ferro em Brasa»

segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Documento do jornalismo luso-moçambicano
Na última vez que ouvi a voz do meu Pai tinha eu 11 anos de idade. Hoje, perto de chegar aos 47, eu e os meus irmãos recebemos um CD com uma gravação recuperada de uma entrevista dada pelo mesmo em 1971 à Rádio de Lourenço Marques e que foi reeditada com o que viram de mais importante quando da sua morte no Brasil, como forma de o homenagear, em 1972.
O Dr. Adrião Rodrigues tinha este rolo em sua casa e o passou para o seu irmão Vitor o qual guardou-o por mais de 20 anos sem saber exactamente o que lá estava gravado.
Este mês, vindo o Tio Vitor de Portugal para a sua casa em Itaipava, estado do Rio de Janeiro, trouxe o tal rolo e decidiu procurar em um antiquário um aparelho que estivesse em condições de uso.
Foi explorando o rolo e dentro de alguns outros materiais interessantes assustou-se ao se deparar com a entrevista do seu antigo camarada que não chegou a vê-lo casado com a sua irmã Micá.
De imediato puxou a gravação para o seu computador e colocou-se a fazer cópias para os filhos do Gouveia Lemos e para o restante da família.
Hoje, emocionado, ouvindo a voz do meu Pai, mas sei que também um documento do jornalismo luso-moçambicano, estou eu aqui tentando colocar uma video-montagem que fiz com a tal entrevista.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
O valor hoje não está no fotojornalista, está no Chapa do meu Pai
levei o tio ao teu Blog e ele queria fazer um comentário , só que eu , zero à esquerda , não soube encaixar , então fiz copy/ paste e vai via E-Mail
Um abraço dos teus tios Beatrice e RR
Ricardo Rangel disse :
Zé Paulo que bom saber que os filhos do meu mestre não se esquecem dele .Re- li os artigos . Lembro - me muito bem deles , também acho que ainda tem actualidade .
Um abraço maningue grande deste vosso tio RR
terça-feira, 24 de julho de 2007
Ricardo Rangel, Oficial das Artes e Letras
Clique em uma das imagens para ler a notícia completa sobre a condecoração do grande ser humano, o fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel, como Oficial das Artes e Letras pelo governo francês através da sua Embaixada em Moçambique.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Saudades do Pai que era jornalista
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TIROS PARA O AR
Tenho uma idéia vaga de, em tempos da minha meninice, ter um vizinho de quinta amedrontado e maníaco, que se assustava muito com muito luar. Por isso, em noites claras de Janeiro ou de Agosto e até de outros meses, o senhor ia ao muro do fundo que dava para a estrada e de lá punha-se aos tiros para o ar com uma caçadeira que ele tinha. Quando o interrogavam sobre aquelas batalhas a solo, o sr. José - chamemos-lhe Sr. José - explicava que era contra os inimigos que disparava, em noites de lua cheia, ou luva nova ou mesmo com um quartozinho crescente. Quer dizer, muita lua e o Sr. José, pum, pum, pum, desatava aos tiros para o ar - contra os inimigos. O que tinha graça nisso era que ninguém conhecia inimigos do Sr. José que nem era mau homem, era só maníaco e amedrontado, assim um pouco palerma; não se sabia portantode quem eram inimigos os inimigos que o afligiam, coitado do Sr. José. Ora eu tenho reparado que ultimamente aparecem muitos artigos em alguns jornais, escritos por uns senhores que me lembram o Sr. José, lá nos tempos da minha meninice, por acaso na Beira Alta. Não sei se é de haver lua - há lua? - ou lá porque é, sei só que nesses artigos muito vagos, nada objectivos embora conceituosissimos, se fazem acusações graves de grandes e pavorosos pecados (que devem ser mas não se sabe quais) contra pessoas muito incógnitas, muito anônimas, se calhar nem existentes. Mas a xingação é brava e contundente. Fala-se de traidores, tipos que são contra, vendidods, perigosos inimigos como o Sr. José dizia), mas ninguém sabe nem percebe a quem é que os tais traíram ou vão ou estão a trair, quem foi que os comprou ou vai ou está a comprar e, finalmente, de quem ou de quê eles são inimigos, a quem ou a quê eles oferecem perigos. É um raio duma confusão!... Se isto me aflige um pouco não é por mim, que passo adiante e leio tantas outras coisas que devo ler e não me importo: mas, como sou dos jornais e me preocupo com estes negócios de Imprensa, acho que o tal fenômeno começa a tomar forma de hábito com tendência endêmica, o que produzirá certamente larga desorganização na opinião pública, gerando-se um clima de desassossego altamente nocivo ao menos para quem precisa de dormir: qualquer dia desata tudo a comprar caçadeiras e a dar tiros de noite, "contra os inimigos". Não está certo. Por isso eu peço aos camaradas mais useiros nesses sustos de noites de luar, que deixem disso, não tenham medo e falem claro. Ó senhores, devemos falar claro, pôr os pontinhos nos ii, as carapuças nas cabeças, apontar cada um a sua caçadeira para cada rés, desde que seja caso de tiroteio. Mas não assustem ninguém, pelo menos as crianças que, ao fim e ao cabo, ainda são as que têm mais receio dessas coisas... Há tempos até li um artigo enorme, bem destacado, com um grande título, muito bem composto, sem gralhas nem nada e não consegui perceber nicles. Reli, ainda, quase até meio; e nada. Mas como era colérico! Como estava ofensivo! Severo e iracundo, prevenia-nos contra temerosos males e denunciava autênticas feras humanas, postas de tocaia contra nós todos, os homens bons (eu, também, não me considero mau homem). Mas afinal, o pobre do artiguinho resultava inútil, porque ninguém nos dizia contra quem era aquela cólera, quem seriam os ofendidos, que males nos ameaçavam e onde estavam as feras. Nem sequer explicava se estas eram mamíferos ou aves ou qualquer desses bichos que há na zoologia. Apre! Isso não deve ser jornalismo. Aliás, eu tenho para mim, que até do ponto de vista lá das manias deles, isso não deve resultar. Quer dizer, nem mesmo para efeitos de denúncia à Policia ou assim, não é? A não ser que haja qualquer código que a gente não sabe. Um código só para os homens bons... Mas então eu quero saber! Não, não deve ser isso. São mas é como o Sr. José, que era palerma e em noites de luar, lá na quinta, punha-se a dar tiros com uma caçadeira. Para o ar. Contra os inimigos.
Gouvêa Lemos – Notícias da Beira – Moçambique, 15/06/1969
Vivemos dias intensamente eleitorais. Sentimos isso – nós, os jornalistas profissionais de Moçambique – no noticiário internacional que publicamos, nas conversas de café (o café é a nossa horta) e no pequeno mundo da classe profissional.
Estamos hoje chegados ao termo da eleição presidencial imposta à França, no referendo de Maio, pela derrota do general De Gaulle. A vitória do general De Gaulle está à vista, como se sabe, garantindo-se a continuidade do regime no nariz gaulista de Pompidou e no resto.
Aqui ao lado, faltam poucos dias para outro referendo, em que Ian Smith resolveu fazer um jogo perigoso. Quantos dirão sim e quem dirá não às bases sem realismo duma constituição racista e sem futuro? Falta a Smith a altura do grande Charles. Falta aos farmers da Frente Rodesiana, que empurram Smith para esta aventura, saberem política. E falta saber quem pagará a conta, já que nos últimos quatro anos não têm sido só os rodesianos a suportar os encargos da independência unilateral. Nós sabemos disso.
No âmbito interno, fala-se por aí de candidatosa deputados por Moçambique à Assembleia Nacional. Ainda não se sabe, ao certo, quem serão eles e, portanto, seria prematuro fazer quaisquer comentários a seu respeito. Referem-se, porém, alguns nomes de ex-futuros-candiidatos. Pessoas que estiveram indigitadas para figurar em listas de candidatura e que, depois, foram retiradas. Toda a gente que conheço concorda com a retirada. Os responsáveis devem considerar este facto um bom indício. Uma espécie de consulta pré-eleitoral com resultado positivo.
Também os redactores e repórteres da Imprensa diária andam em ânsias de voto para a eleição dos primeiros corpos gerentes da secção de Moçambique do Sindicato Nacional dos Jornalistas, a realizar esta manhã. Supreendentemente, na pântano fizeram-se ondas e, mais que a lista única, surgiram duas, apareceram três. A segunda anulou a primeira, é verdade, mas da simbíose resultante, apesar de eficientemente apoiada por astuta articulação e penetrante propaganda, parece que não vai nascer o triunfo, por uma dessas circunstâncias fortuitas, poderosas contingências de valor psicológico, tantas vezes decisivas das eleições, à margem e acima dos mais prestigiosos candidatos e promissores programas. O caso é que, havendo práticamente uma só lista, a certa altura reformulada, em que o lugar do presidente da Direcção apresentava como candidato Rui Cartaxana, chefe da Reportagem do «Notícias», de Lourenço Marques, parecia que este vencedor certo, com votos da capital, onde está, e da Beira, onde esteve durante anos e ganhou fama. Até certa data, os inquéritos a que ele próprio procedeu, com insistenteactualização, davam-lhe uma tranquila margem. É certo que também se falava um pouco do João Manuel Ferreira Simões, delegado do «Notícias da Beira» em Lourenço Marques, que tem sido o delegado do Sindicato em Moçambique e que nessa trabalhosa e humilde tarefa se tem portado com brio e dedicação. Mas ninguèm supunha que o Ferreira Simões, voluntáriamente afastado da campanha e, para mais, ao serviço dum jornal da Beira, detivesse a carreira disparada do Rui Cartaxana. Eis senão quando, uns colegas atentos, de espírito muito analítico e temperamento laboratorial, julgaram descobrir e fizeram constar que uma crónica bem escrita, de agradável humor e lúcida ironia, sobre a idade aparente das senhoras de aparente idade, que o Rui Cartaxana subscrevia no «Notícias» de 25 de Maio p.p, já tinha sido públicada no «Diário Popular» de 13 do mesmo mês, com assinatura de Luíza Manoelde Vilhena. Amigos da onça, estes sujeitos, portaram-se como cabos eleitorais do Ferreira Simões. Não contentes com a descoberta, prpalaram logo que o Cartaxana é useiro e vezeiro na prática de beber quase todo o conteúdo e comer a forma quase toda de artigos suculentos de bons especialistas, apresentando-se depois a opinar ex-cátedra sobre assuntos económicos e de outra natureza com admiráveis pontos de contacto entre o seu articulado e as teses de qualificados colaboradores da «Seara Nova», por exemplo.
Ora, se é por isto que ele perde a eleição, acho injusto. O jornalista é um agente de informação , um factor de cultura. E torna-se muito delicado e difícil distinguir entre o que ele transmite, por ter assimilado e o que reproduz, simplesmente, porque é um apóstolo da comunicação. O próprio Rui Cartaxana virá dar-nos uma explicação do fenômeno. A priori, devo dizer que não acredito em plágio. Nesta época de vida urgente em que a seleção e a condensação se apresentam como virtudes dos mass media, a compilação do que de mais importante se escreve na Imprensa não diária, benefiaciando os leitores dos grandes quotidianos, constitui trabalho não menor da atividade jornalística. Bem grande nesse labor o dr. Videira Pires, que Deus haja. Por que bater no Cartaxana? Se o meu camarada Ferreira Simões for eleito, hoje, em consequencia deste grave equívoco, não poderá orgulhar-se da vitória.
sábado, 31 de março de 2007
Homenageando o decano dos fotojornalistas moçambicanos.
Barrigas vazias, nos subúrbios da então Lourenço Marques.

Casa de banho para homens e casa de banho para serventes. Apartheid disfarçado do colonialismo português.
Poeta José Craveirinha, poeta e pintor Neves e Souza, jornalista Gouvêa Lemos e o Rangel atrás da lente, ouvindo jazz, lá pelo final da década de 50 ou iníco da de 60!

Ricardo Rangel e Madalena Gouvêa Lemos, em 1996 quando este veio nos visitar a Curitiba, Brasil.




