terça-feira, 26 de junho de 2007

"O racismo e discriminação no nosso vocabulário...


Crónica de António Maria G. Lemos

Fico espantado todas as vezes com as diversas formas de discriminação que lemos diariamente, que mostram que por mais que tenhamos tido melhor instrução que os nossos antepassados, continuam entranhadas na nossa sociedade.
Sejam elas de conteúdo racial, religioso ou social, ao invés de diminuírem, propagam-se neste mundo mesquinho-medial dos proeminentes sazonais e profissionais sem consciência laboral.

Me senti chocado ao ler que no bairro de classe média(para alta), do Rio de Janeiro, agrediram uma mulher sem motivos nenhuns. A mesma conseguiu-se refugiar a tempo no edifício onde trabalha. (Notícia divulgada em vários jornais brasileiros)

Graças á coragem e civismo de um senhor que do seu táxi observou o acto de violência e o denunciou, alguns dos agressores já foram detidos. Um deles, de 20 anos, imaginem vocês é estudante de direito. Salvem o oratório !!

Os 'filhinhos de papai', acharam que a senhora Sirlei era 'vagabunda' . Como se posição social ou profissão exercida por uma pessoa bastasse e legitimasse a ação em si (ser agredida e roubada) .

Mas se analisarmos bem esta situação veremos que esta atitude de 'cabeça raspada', versão “canarinha” do nazismo, em muito se deve aos costumes centenários da sociedade brasileira. Onde os empregos de baixa qualificação de estudos escolares - mesmo que exijam muita experiência para ser exercidos corretamente - são por todos nós desgnificados. Até mesmo por aqueles que exercem tais profissões.

É a terra dos cartões de visita onde a relevância dos fatos e atitudes são pesados de acordo com os títulos impressos nos cartões, e que estabelecerá o cumprimento, ou não, de algumas das leis existentes.

O que me chamou atenção neste artigo foi o próprio titulo em si, usado por vários órgãos de imprensa nacional, '...suspeitos de agredir doméstica é preso'.
Como assim 'doméstica' ?! Se fosse um desconhecido doutor seria o titulo, 'doutor foi agredido'?
Qual o peso e a relevância da posição profissional da vítima na divulgação desta notícia, que a meu ver foi um assalto com uso de violência, e como tal deveria ter sido divulgado e recriminado?

Onde fica a responsabilidade da imprensa no combate aos estigmas e discriminações sociais?

Se a senhora Sirley é uma daquelas profissionais que a nossa sociedade em muitos lugares teima ainda em as obrigar a entrar pelo elevador de serviço, aí a notícia e o tema seria outro, e aÎ sim, fizesse senso mencionar a profissão dela no titulo do artigo.

Infelizmente a sociedade como um todo tem culpa na forma como nos referimos às minorias ou às pessoas marginalizadas sem terem cometido nenhum crime.

A imprensa e os livros pedagógicos impressos ano após ano, sem uma revisão e atualização de vocabulário, só reforçam e propagam esses estigmas sociais de longa data.

As crianças, jovens e estudantes universitários dos nossos países - seja no Brasil, Portugal ou países luso-africanos - crescem aprendendo o que o mundo civilizado já sabe ser errado. No entanto nada, ou muito pouco se faz para se mudar esta postura.
As palavras doméstica, doutor e patrão na forma que são usadas, são só alguns desses resquícios do nosso passado, ainda bem presentes na visão laboral de sociedades retrógradas. Outras palavras haverá que estão diretamente ligadas às diferenças raciais e religiosas e que tal como no passado fazem parte do nosso dia-a-dia atual.

Na Suíça onde vivo, há muito que não se usa os títulos das pessoas, seja na forma escrita ou falada. 'Exmo. Sr. Doutor ' por exemplo é algo que aqui faria o pessoal soltar fortes gargalhadas se lessem tal disparate numa carta. Se sentiriam transportados para o mundo dos seus avós. As poucas exceções, onde alguns títulos ainda se usam acontecem somente na escrita em termos jurídicos e políticos, e só entre eles. Pois o cidadão normal quando escreve uma carta ao Juiz só necessita de iniciar a carta como iniciaria para qualquer pessoa que não lhe fosse próxima,independentemente da profissão do receptor da mesma.

Mostrando que as profissões ganham o mesmo respeito e importância laboral e social. (Afinal todos sabemos que a casa só ficará de pé devido ao trabalho, profissionalismo e empenho de todos os profissionais envolvidos na obra. )
Com isso não quero dizer que aqui não haja racismo, porque além de ser outro tipo de discriminação, claro que aqui também há. Mas a imprensa e a educação, através das diretrizes dos ministérios de educação e comunicação assumem e promovem, em prol daqueles que ao contrário de nós sofrem sob o jugo do nosso vocabulário, uma posição de respeito e igualdade entre as várias categorias profissionais. Que a meu ver, nada mais é do que um dever a ser cumprido por todos os países.

Tomar consciência desse linguajar e fazer algo contra, (evitando fazer uso do mesmo), não é tão fácil como se possa imaginar pois faz parte do aprendizado do nosso idioma.
No entanto é sem dúvida um pequeno passo na direção certa, que todos nós como indivíduos temos que dar em favor das gerações futuras.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Parabéns Moçambique!

32 tenros anos!



domingo, 24 de junho de 2007

Tchim, tchim...



Para um garoto de 10 anos, o Filipe mostra um bom enquadramento na arte de fotografar.
Com a sua simples máquina em um passeio da escola a Vila Velha, a aproximadamente 100 km aqui de Curitiba, em um local de um conjunto de formações rochosas (arenitos) com as suas mais variadas formas que alimentam a imaginação dos visitantes, ele clicou algumas belas imagens. Escolhi estas duas pela beleza e enquadramento da primeira e pela criatividade em cima da conhecida “taça” do parque.

Se não é chave, é correia...


Agora, no Equador o seu Presidente Rafael Correa afirma que deverá ser dissolvido o Congresso do seu país para a garantia do desenvolvimento do “socialismo” e do ordenamento democrático. Este “democrata” foi eleito pelo seu povo, da mesma forma que os representantes do Congresso, mas com o seu perfil nacionlaista que se diz líder de uma revolução socialista em um país que vem tendo revoltas políticas atrás de revoltas, não tenho dúvidas que haveremos de ter de forma mais clara mais um ditador formal na nossa querida América-Latina em pouco dias.
É triste quererem nos fazer crer que o socialismo estaria vinculado a ditaduras em pleno Séc. XXI.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Tráfego internacional X Crime local

Notícia que transcrevo abaixo do site da Gazeta do Povo mostra que a solução dos problemas do Rio de Janeiro e de outras capitais do Brasil começam com operações como aqui relatadas. O grande tráfego de drogas pesadas vem de fora do país, do qual o Rio de Janeiro, cidade e estado, não fazem fronteira com nenhum país vizinho. É hipocrisia acreditar e cobrar dos governos municipais e estaduais as soluções de problemas que começam no controle de fronteiras e que depois se escondem atrás da pobreza, pobreza essa usada na sua grande maioria como escudo humano dos mafiosos internacionais e alguns graúdos nacionais.
É em operaçoes conjuntas entre os países, como esta, que se obterá resultados palpáveis, tanto no Brasil como nos países vizinhos. Só que é necessário mais vontade política por parte do governo federal brasileiro e dos nossos vizinhos para que isto aconteça com mais regularidade. Afinal, 450 quilos hoje como sendo a maior apreensão em uma operação conjunta entre Brasil e Paraguai depois dos 343 quilos flagrados em 1990 (17 anos atrás) é muito pouco, tanto em volume de quilos como de eficiência de flagrantes quando sabemos que o Paraguai e o Brasil são rota mundial do tráfego de cocaína.
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MUNDO DROGAS 19/06/2007 - 19h10
Paraguai apreende carga recorde de cocaína na fronteira com o Brasil
por REUTERS

A Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad) confirmou nesta terça-feira (19) que um carregamento de cocaína descoberto na fronteira com o Brasil era de 450 quilos, tornando-se a maior apreensão da droga na história do país.O procedimento foi realizado na segunda-feira em conjunto com a Polícia Federal brasileira, em uma localidade muito perto da cidade de Pedro Juan Caballero, a cerca de 550 quilômetros ao norte de Assunção, na fronteira com o Brasil.O carregamento, cujo valor é de cerca de US$ 3 milhões (R$ 6 milhões), estava em três caminhonetes, informou um comunicado da Senad.Também foram presas outras três pessoas, uma delas brasileira, supostamente encarregadas de levar a droga até o Brasil. Os agentes apreenderam os veículos, várias armas de fogo, dinheiro e cheques. Segundo o comunicado, a carga de cocaína "tinha origem colombiana e tinha sido levada até o Paraguai para o tráfico internacional mediante uma organização de traficantes libaneses que operam na zona".Trata-se do maior carregamento de cocaína apreendido no país depois dos 343 quilos flagrados em 1990.

domingo, 17 de junho de 2007

Ninho de ratos...

Esta semana tive que viajar para tentar identificar a saída indevida de peças do estoque de uma revenda do grupo. Acabei por me deparar com uma situação não muito normal. Consegui, através de um cliente, identificar um receptador. Ou seja, comecei a identificar a solução por fora da estrutura para poder chegar ao ninho de ratos que poderia estar instalado dentro da nossa estrutura.
Consegui chegar ao tal receptador, e depois da terceira conversa consegui mostrar ao mesmo que seria melhor ele me passar quem estava dentro da nossa revenda. Assim aconteceu. Era um garoto que recém havia feito dezoito anos de idade, e que ao mesmo tempo que se mostra irresponsavelmente sem a visão do tamanho da burrada que fez, não confessa que é um simples secretário da trupe. Mas agora o resto desmonta-se...
Sim, perderá o emprego mas não se vai mandar prender o rapaz. O que se vai é torcer para que ele ainda tenha geito ao se arrepender e a levantar a cabeça.
Voltei para casa mais triste do que normalmente.

(Esta é uma história fictícia que semelhanças a factos reais são mera casualidade)

Anonimato


Imagem: http://www.th4.org/

O anonimato é muito poucas vezes usado para o bem. Na verdade nunca é usado para o bem. No máximo, é usado para não se mostrar que se fez o bem, como alguém que faz atividades filantrópicas ou doa dinheiro com o mesmo fim sem que queira que seja identificado. Normalmente esta pessoa não quer ser identificada porque não quer fazer propaganda da sua própria imagem e também porque não quer que se crie uma fila de solicitações ao perceberem que possa ele se sensibilizar por mais uma questão “humanitária”.
Mas o anonimato é sem dúvida uma das ferramentas das pessoas mais covardes que existem na fase da terra.
No anonimato se fazem cartas com ameaças! No anonimato se sequestram crianças com intuitos pedófilos! No anonimato se assalta! No anonimato se mata! No anonimato, se criam sites na internet para se poder dizer o que não se tem coragem de assumir perante a sociedade.

Do anonimato acabamos quase sempre tirando pessoas que já têm pendengas com a justiça.

*O blogue como espaço de um desabafo mais pessoal.

Blogosfera a serviço do Patrimônio Mundial

Foto do site Ma-Schamba
A Ilha de Moçambique tem na sua história as dificuldades, o tal de maltratarem aquele espaço que teimosamente forte tornou-se Patrimônio do Mundo. Esta semana, o José Teixeira (JPT), no seu blogue Ma-Schamba, alerta para o ridiculo da propaganda negativa da força do capital, neste caso da empresa MCEL, sobre a força de uma Ilha. Pelo o que conheço desta Ilha, a Ilha de Moçambique, com todas as suas feridas, ela vai ganhar mais uma e vão limpar a incoerência de um amarelo nas paredes históricas de um patrimônio que é de todos.
Obrigado JPT, por teres dado o alerta na blogosfera.

domingo, 10 de junho de 2007

Parada Gay em São Paulo




A parada gay em São Paulo, no Brasil, é considerada a maior do mundo. Este ano reuniu mais de 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista. Não é à toa que também passe a ter quase mais importancia como um grande negócio para a cidade do que própriamente como um movimento contra o preconceito contra os homossexuais.

R$ 135 milhões foi o que a festa de um dia movimentou nos cofres do comércio turístico envolvido no evento.


* Indico lerem uma notícia/ entrevista sobre o encontro, no site da Gazeta do Povo. O presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, Nelson Matias Pereira, mostra ser uma pessoa ponderada.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Bactéria estomacal Putin


O Bush passou mal no encontro do G8. Não sabem dizer se foi uma bactéria estomacal ou algo similar que atacou o presidente americano.

Cá para mim foi algo que o Bush comeu e não caíu bem, como ter que aceitar avaliar a proposta do colega russo, o Putin, de usarem de forma conjunta o radar de Gaza em substituição ao plano americano de instalar um sistema de Defesa Nacional Antimísseis no Leste Europeu. Ao perceber a irritação da Rússia com os seus maquiavélicos planos bélicos e tendo ainda o Putin o “apoio” de grande parte do bloco europeu, não lhe sobrou outra alternativa começar, por enquanto, no faz de conta que eu vou ver, mas já é o bastante para uma péssima má disposição.

F1...quebrar o programa da família no sábado ou no domingo?


Nos últimos tempos de F1 os treinos de classificação, aos sábados, têm sido mais instigantes do que as próprias corridas. Talvez por neles nós já não estarmos com expectativas de ultrapassagens e sim o de ver os melhores baterem os tempos um dos outros, em três distentas etapas do treino classificatório.
De qualquer forma, tenho como sensação que este Grande Prémio do Canadá venha a ser o melhor até esta data do campeonato deste ano, tanto nos treinos como na corrida. O certo é que será melhor que o sempre monótono GP de Mônaco...sem medo de errar.
*E os boatos dizem que o Schumacher mais novo está prestes a perder o volante da Toyota.

domingo, 3 de junho de 2007

Respeito pela democracia e por quem a respeita!


O Congresso Brasileiro, através do Senado, aprovou um requerimento com um pedido que o presidente da Venezuela devolva a concessão ao canal oposicionista RCTV. É evidente que foi esta uma atitude que não tem nada de efeitos legais, em questões internacionais, mas não tem nada de ilegal. O que tem é um fundo conceitual extremo de marcar uma posição democrática de uma instituição de um país que hoje, com todos os defeitos que possa ter, tem uma das maiores democracias mundiais perante um governo na América Latina, no caso da Venezuela, que vem mostrando que vai-se afastando cada vez mais de um bem de qualquer povo, que é a democracia. Pior do que isso, é perceber que Hugo Chavez além de se achar melhor do que a própria democracia, se acha a "última bolacha do pacote" ao ponto de criticar ferozmente uma instituição democrática que o recebeu neste país quando das suas visitas ao território brasileiro, por defender o que ele mais teme, que é a democracia. Classificou o Congresso Brasileiro de estar debaixo de ordens do Congresso Americano, além da brincadeira ao dizer que seria mais fácil o Brasil voltar a ser colônia de Portugal do que devolver a concessão à RCTV.
Renan Calheiros, Presidendte do Senado, do PMDB, figura de centro-esquerda para alguns, para outros de centro-direita – isto de ser de centro é díficil de definir – e Arlindo Chinaglia, do PT, este de esquerda, mas ambos com espírito democrático, logo reagiram mostrando o repúdio às declarações do Presidente Venezuelano.
Já o Presidente Lula, quando pego de supresa em visita à Inglaterra, deu uma vacilada quando disse que ele Lula tinha que tratar dos assuntos do Brasil e o Chavez tinha que tratar dos da Venezuela. Depois acabou dizendo que o governo brasileiro tinha uma boa relação com a imprensa do país. Só mais tarde, através do Itamaraty (Relações Exteriores) acabou solicitando o comparecimento do Embaixador da Venezuela em Brasília para que este explicasse as declarações do Presidente do seu país. E aí foi-se abafando daqui, dali e parece que o MERCOSUL passou de novo a ser mais importante do que lutar pelo fortalecimento das democracias na América Latina.
No entanto, não percebi alguma vez o Lula questionar o perigo que a democracia atravessa na vizinha Venezuela. Que ele já percebeu, todos sabemos. Pena é que mais uma vez um presidente brasileiro entre na linha da neutralidade dos problemas políticos mundiais, e neste caso ainda pior por se tratar de um problema muito próximo do nosso território.
Há que se definir, por parte do governo brasileiro, uma posição sobre a ditadura que se está instalando na Venezuela. Há que se deixar claro para o mundo que aqui se respeita a democracia e quem a respeita.
Até parece algo como Moçambique em relação ao Mugabe do Zimbabwe. Sina esta!

Paisagem (2)

Ainda no dia que fotografei a imagem do post «Paisagem», ao qual me fez por algum motivo viajar ao passado, olhando para o outro lado da estrada mirei este outro visual. A água é algo que mexe com o meu bem estar, e quando ela tem volume e é rodeada de verde, embora neste caso já um tanto devastado, ainda mais me energiza. Por isso também aqui coloco esta foto.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Hugo Chavez, o novo caudilho... com uma velha receita na mão .


Um dos meus irmãos mora em Zurique, ou seja, a alguns milhares de quilómetros de mim físicamente, distância física esta dificil de ser administrada. É que tenho uma grande admiração por ele e o texto que aqui abaixo reproduzo, escrito por ele, é uma pequena demonstração do que me faz ter a tal admiração. Mas olhem que é mesmo uma pequena amostra. Ele é muito mais do que isso.

Obrigado por autorizares aqui deixar colocar a tua "crónica" dando um pouco mais de luz à Lanterna.

Zé Paulo


"Hugo Chavez, o novo caudilho... com uma velha receita na mão ."


Pena, porque acreditei que ele iria fazer uma verdadeira reforma sócio-política, baseado numa terceira via, mas acabou desapontando ao se deixar contagiar pela sede do poder e arrogância política.
A turma do clube dos inocentes e incautos sempre dirá que as revoluções tem que ser radicais, como se a História não comprovasse o contrário. Estatizar algumas empresas vitais para a Nação sim, um país inteiro não! Combater os excessos de violência e radicalismo sim, oprimir e negar a voz à oposição não!
Sem dúvida que o governo dele também está fazendo projetos voltados para a grande camada socialmente desfavorecida do país e há décadas esperando por melhor e justo tempo. Claro que isso também é muito menos divulgado pela média internacional do que os chutes e pontapés na democracia que ele tem dado. (Alfabetização, melhorando o serviço de saúde básico, bolsa de alimentação nas escolas...) E não só, ele até ofereceu gaz muito mais barato para o aquecimento da população pobre do Brooklin nos USA, assim como ofereceu mais dinheiro que uma empresa estrangeira havia oferecido para a compra de uma cooperativa na Argentina. ( Em troca a cooperativa continua cumprindo o seu estatuto de cooperativismo, negando a venda para privados e toda a sua produção anual será enviada para "el pueblo de Venezuela".) No entanto o que a minha amiga venezuelana, Angela, que regressou agora de uma temporada na Venezuela me contou me cheira a queijo que passou da validade. Algumas chefias das novas empresas, células de apoio nos bairros, líderes de projeto, etc, são dadas não de acordo com a capacidade profissional e instrução e sim pelo grau de fidelidade partidária. Os projetos culturais só recebem apoio do estado se forem dentro da linha governamental, e o que não for, é estampado ou denunciado de "reacionário". Os órgãos de segurança do estado assumem cada vez mais poder, e com eles uma brutalidade legal que impede o cidadão de reclamar em qualquer lugar. Quase todos os dias existe alguma "manifestação" de apoio ao governo sem polícia dando cacetada, mas se a manifestação for de alguma forma crítica, aparece logo o exército para reprimir e encarcerar.Quando uma amiga venezuelana me contou agora o que viu por lá nos três meses que lá passou - sendo ela quem é, uma agente social por profissão, engajada até na Suíça - percebi que já havia visto isso em outros cantos e tempos da nossa História.
Confesso que não gostei, e decepcionados começamos a nos perguntar porque será que a América do Sul, entra década, sai década, não se liberta do velho "vira o disco e toca o mesmo"? E uma elite política, seja qual for a sua tendência política tenta comprovar de forma ilegal que os sul americanos "só aprendem e vão em frente" se estiverem sob o jugo de uma mão de ferro. ("O Chile economicamente deu um pulo com Pinochet...", "A Educação em Cuba...." ) Enquanto que todos sabem que o problema maior a se combater na América do Sul, e em outros continentes em desenvolvimento, é a corrupção e a impunidade geral, que não vão terminar com a criação de um estado autoritário.
Hugo Chávez hoje é só mais um caudilho disfarçado de "socialista" e " pai dos pobres". Infelizmente essa laia de políticos populistas - que também poderíamos chamar de toupeiras, por levarem "en nombre del pueblo", "Deus" e outros pseudo princípios as instituições democráticas para o buraco - tem tido a tendência em aumentar no mundo político atual. Na América do Sul disfarçam-se sob o manto de um pseudo-esquerdismo, e na Europa pela direita pseudo-social, no médio Oriente como portadores da voz Divina. No entanto, quem não é inocente e já viveu as injustiças e corrupções que surgem com as ditaduras, onde a Liberdade para denunciar os abusos se enterra na masmorras. Sabe que no fundo a diferença entre esses ditadores e outros famosos e assumidos como Fidel e Pinochet, é a mesma diferença que existe entre um PC e um Mac. (*) Dois sistemas de processamento diferentes e em estágios de evolução destintos mas que alcançam o mesmo objetivo. Neste caso... a ditadura populista e o poder eterno, cujo o preço será dizimar a Liberdade de pensamento e expressão para reinar. "Afaste de mim esse cálice..." , prefiro a sede com liberdade, do que empanturrado e amordaçado, tangido nos mais elementares dos nossos direitos humanos.

Antonio Maria G.Lemos

(*) "...é a mesma diferença que existe entre um PC e um Mac." É uma expressão que li uma vez num artigo e tomei a liberdade de usar, em que o seu autor, (que infelizmente não sei mais o nome), fez um paralelo idêntico entre os radicais muçulmanos e judeus, que bloqueiam um caminho baseado em compromisso mútuo, por não lhes interessar a paz no médio oriente.

domingo, 27 de maio de 2007

Paisagem




Há certas coisas que não se consegue explicar, mas quando decidi, com a concordância do meu parceiro de estrada, parar o carro no acostamento na viagem de retorno a Curitiba, ainda na região do Sudoeste do Paraná para fotografar esta paisagem, voltei ao meu passado que foi muito longe daqui e baixou uma vontade muito forte de ouvir a Janis Joplin, uma das minhas musas dos blues de todos os tempos. Em homenagem a esta paisagem e a ela, a Música da Semana será "delas".

sexta-feira, 25 de maio de 2007

O inverno chegou


Em um país classificado como tropical, mas também continental, poucos se lembram que também faz frio no Brasil. Estou por uns dias no sudoeste do estado do Paraná, ao sul do país, e ontem passei na frente deste "relvado" onde a imagem era uma. Hoje, branco gelo, da geada que queimava a relva que ontem era verde. O inverno chegou por este lado.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Qual é a minha nacionalidade?


Nunca havia participado, nem mesmo acompanhado, de um grupo denominado Moçambiqueonline, mas recentemente um amigo me havia indicado devido a alguns temas interessantes que por lá apareciam. Nas últimas semanas, por questões até mais pessoais, decidi ficar mais de leitor do que participante direto.
Ontem, acabei por escrever umas linhas para o site, que pelo o que percebi e infelizmente tenho que concordar, é aquele um espaço “moderado”, ou seja, existe ali um moderador que se reserva no direito de ali colocar o que acha interessante ou não, dentro dos seus critérios de avaliação. Pelo o que deu para perceber, não foi considerado o tema que coloquei como interessante para o debate, mas ainda assim não acho tão desprezivel e por isso aqui coloco.
Abordava a seguinte questão, não exactamente nas mesmas palavras pois não gravei o texto ao escrever diretamente naquela página, sem planejar e nem mesmo passar por uma correcção ortográfica :

Qual é a minha nacionalidade?

Nasci em 1960 na então Lourenço Marques, atual Maputo, vivi alguns anos na Beira e os dois últimos em Vila Pery (Chimoio). Os meus pais eram a favor da independência de Moçambique, mas quando do 7 de Setembro de 1974, não falo do Acordo de Lusaka e sim da tentativa de um grupo de “reacionários”, ao tomarem a Rádio Clube de LM, de desestruturar os objetivos do tal acordo, criaram uma convulsão social, com conseqüências ainda mais graves em Outubro daquele mesmo ano, que a minha Mãe (infelizmente o meu Pai já era falecido no 25 de Abril e no 25 de Junho) decidiu naquele momento que deveríamos sair de Moçambique e vir para o Brasil. Acreditava ela que agora, definitivamente, o Samora Machel e o seu “novo” partido político não fugiriam de uma instalação de uma nova e pesada ditadura, agora de esquerda, embora estivéssemos saindo ainda de uma ditadura, mesmo que de direita. Já ela previa (ou sabia?) que ditaduras são ditaduras, nem mais ou menos más, e eu, na cauda da sua decisão, nos meus 14 para 15 anos de idade, saí da terra que me viu nascer. Nunca fui a Portugal, nem mesmo como turista a vida ainda me deu essa oportunidade. Pergunto então, ou deixo para “debate” ou se debaterem, a seguinte questão, sem levar em consideração bilhetes de identidade ou legalidades subjetivas; Era eu um colonialista? Que nacionalidade devo eu ser ou acreditar ser, ou mesmo deixar o coração achar que sou? Simplesmente nasci na hora errada no lugar certo? E agora? Terráqueo fico, aos olhos dos moçambicanos devidamente identificados por um bilhete de identidade?!

domingo, 20 de maio de 2007

Timor: Paz e mais algo!

O Prémio Nobel da Paz (1996) Ramos-Horta assumiu hoje a presidência de Timor Leste. Que ele consiga unir aquele pequeno território para que atinjam a Paz que aquele povo há tanto tempo merece. Só com ela poderão dar outros passos para o crescimento sócio-econômico.
Mas que nunca se esqueça da essência da sua luta que o fez merecer um Prémio Nobel.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Precoce? Até quando?



Se não alimentarmos a infância dos nossos filhos, não necessáriamente com grandes fantasias, esta anedota em pouco tempo deixará de ser anedota, não só na questão da sexualidade.

De qualquer forma como anedota, achei piada quando a minha filha me contou e é como tal que aqui a coloco.
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O pai pergunta para o Joãozinho:

- Joãozinho, voce sabe como se faz um bebezinho?
- Pai, não! Não fala, não quero saber, não diga nada que não quero ouvir!... Diz o Joãozinho com tom angustiado e de choro, o que deixa o pai preocupado e que logo pergunta;
- O que houve, meu filho? Porque voce está assim? O que está te preocupando?
- É o seguinte, pai: é que aos sete anos de idade, fiquei sabendo que não havia Coelhinho da Páscoa, aos oito fiquei sabendo que não havia a Fada Madrinha, aos nove voce me contou que o Pai Natal (Papai Noel) era mentira. Agora só falta que aos meus dez anos de idade voce me diga que sexo não existe! Se for assim, a vida não faz mais sentido para mim.


Tenho uma amiga que me tem na lista de pessoas do que vai enviando do que de melhor vai encontrando na internet, seja no site Youtube ou em outros, que de alguma forma o material se mostre qualitativamente acima da média, seja nas artes, no humor cotidiano, e até no cotidiano "menos" atraente.

Desta vez, a minha amiga Isabel Salbany enviou algo que não segurei-me em dividir com os que por aqui passam. É que as imagens além de visualmente bonitas, de um casal de dançarinos em plena sintonia, são de um estalo de luva branca para muitos de nós que nos acomodamos a um sofá com o pé dentro de uma bacia com água quente por causa de uma ex-unha encravada.